Países deveriam retomar discussão sobre uso do etanol no mundo, diz Ipea

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Os países produtores de etanol devem retomar a qualquer momento as discussões sobre a viabilidade da cultura de cana-de-açúcar para a produção de álcool hidratado – em especial nos países da África Subsaariana, América Latina e do Caribe – e sua comercialização internacional.

Quem aposta nessa tese são os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Pedro Silva Barros e Giorgio Romano Schutte, que realizaram recente pesquisa sobre A Geopolítica do Etanol.

Para eles, a crise financeira mundial, deflagrada em setembro de 2008, foi a principal responsável por ter tirado a discussão energética do foco das atenções. Esse fato foi agravado no Brasil, onde as atenções no debate sobre energia, em 2009, estiveram voltadas para o petróleo da camada de pré-sal. Com isso, os biocombustíveis perderam espaço na discussão.

A pesquisa de Barros e Schutte ressalta que não se deve deixar em segundo plano a discussão sobre o “igualmente promissor futuro do etanol”. Para eles, em um cenário onde a preocupação com o meio ambiente é irreversível, torna-se obrigatório que o Brasil consiga articular de forma harmônica as várias fontes de energia.

O estudo mostra que o Brasil tem muito a ganhar com o desenvolvimento do mercado de etanol, uma vez que a produtividade obtida com a cana-de-açúcar é bem mais alta que as extrações derivadas de milho, nos Estados Unidos, e de beterraba, nos países europeus.

Além disso, há o fato de o Brasil dominar todas as fases da cadeia produtiva, do plantio à comercialização e ao uso das melhores tecnologias de produção.

A única coisa que pesa contra o Brasil é o receio dos países consumidores em relação à dependência de poucos exportadores de etanol, como ocorre hoje. Mercado no qual o Brasil tem domínio quase absoluto, seguido de longe por: Estados Unidos, Índia, China e África do Sul.

Os pesquisadores do Ipea afirmam que a efetivação de um mercado mundial de etanol passa pela transformação do produto em commodity (com preço internacional, definido pela Bolsa de Chicago).

Para os pesquisadores, é necessária uma ação articulada de incentivo à produção de cana de açúcar  em terceiros países, pelo setor privado, e de cooperação técnica, do setor público, para melhorar a produção agrícola – em especial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que já realiza algumas ações nesse sentido, em países da África.

Fonte: Agência Brasil