Stephanes aponta danos ambientais causado pela pecuária

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A principal causa de problemas ambientais no campo atualmente é a pecuária, segundo afirmou nesta terça-feira o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, no seminário promovido pela liderança do PcdoB para discutir as mudanças no Código Florestal (Lei 4.771/65). Segundo ele, a atividade emprega 200 milhões de hectares, dos quais no mínimo 50 milhões têm baixo uso ou são degradados e sem uso.

Somente com a recuperação desses terrenos, conforme o ministro, seria possível reduzir em quase 200 milhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa por ano no País — cerca de 15% dos valores atuais.  Diante desse grande volume de terra passível de reaproveitamento, o ministro sustenta “não fazer sentido desmatar mais a Amazônia para agricultura ou pecuária”.

A agricultura, de acordo com o ministro, utiliza 70 milhões de hectares “em grande parte com sustentabilidade”.

Alimentos Para o secretário de Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural Integrado do Amazonas, Eron Bezerra, não faz sentido acusar o setor agropecuário pela degradação ambiental.  Em seus cálculos, para produzir as cerca de 60 milhões de toneladas de alimentos consumidas anualmente pela população brasileira é necessária uma área de 32 milhões de hectares.  “Não vejo como o setor pode ser o problema”, afirma.

Bezerra ressaltou ainda que o setor primário foi responsável por 42 bilhões de dólares do saldo comercial do Brasil em 2008.  “Os outros setores deram prejuízo”, declarou.

O secretário alegou que o discurso segundo o qual a Amazônia deve ser intocada faz parte da estratégia das “potências estrangeiras” para controlar a região, numa espécie de conspiração que denomina “teoria do bloqueio”.  “Dizer que não se pode usar nada da região tem grande apelo”, lamentou.

Internacionalização O deputado Ivan Valente (Psol-SP) ressalvou ser necessário cuidado com o discurso da internacionalização da Amazônia.  Para ele, “dominação internacional é feita com potência, como a base militar dos Estados Unidos na Colômbia”, e “não por meio de ONGs cristãs” ambientalistas.

Conforme ressaltou o deputado, a questão fundamental é a função social da terra e da propriedade: “Quem faz discurso ideológico são aqueles que se interpretam como benfeitores, responsáveis pelo PIBIndicador que mede a produção total de bens e serviços finais de um país, levando em conta três grupos principais: – agropecuária, formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária; – indústria, que engloba áreas extrativa mineral, de transformação, serviços industriais de utilidade pública e construção civil; e – serviços, que incluem comércio, transporte, comunicação, serviços da administração pública e outros.  A partir de uma comparação entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação anual do PIB., aqueles que dizem que quem quer preservar o meio ambiente é contra os interesses do País.”

O diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão, também disse não aceitar ser considerado contrário aos interesses nacionais.  “O problema não é o topo do morro ou o leito do rio, mas quem tem propriedade neste País e nunca aceitou o controle.  São os mesmos proprietários que na época da Abolição da Escravatura acusaram Joaquim Nabuco de ser favorável aos interesses ingleses”, destacou.

Fonte: Agência Câmara