Plano rejeitado

segunda-feira, 1 de março de 2010

Brasil, Argentina, África do Sul e Indonésia não endossaram um documento de “princípios para reger a ação dos governos na agricultura e alimentação”, aprovado por ministros de agricultura na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na sexta-feira em Paris.

Como antecipou o Valor, o Brasil considera excessivo o vínculo entre medidas na agricultura e combate a mudanças climáticas. Também se chocou com países europeus sobre a questão da multifuncionalidade na agricultura, entenda-se sistemas agrícolas subsidiados para promover uma produção sustentável, sem prejuízos ao ambiente e considerando aspectos sociais, como as condições de trabalho dos agricultores.

“Nós endossamos a parte que nos interessa, como a liberalização do comércio agrícola mundial”, declarou o secretário de Produção Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães.

Boa parte dos ministros de 40 países concordou que a mudanca climática traz o desafio para os agricultores reduzirem a intensidade de emissões de carbono na produção de alimentos, ao mesmo tempo em que precisam preservar a competitividade econômica do setor.

O documento sugere que o setor se envolva mais no sequestro de carbono nos solos. Defende gestão e cobrança “eficiente” da água. “O Brasil nem entrou nessa discussão. Água não é problema para nós hoje”, disse Guimarães.

Os ministros deram ênfase à adoção de novas tecnologias, por exemplo na área de genética animal e gestão das emissões de metano dos animais.

Concordaram que a produção e a produtividade devem melhorar em todos os sistemas agrícolas, para enfrentar a insegurança alimentar em vários países. Mas ficou claro que só o desenvolvimento agrícola não é suficiente. Certos países reclamaram que mercados protegidos contribuem na instabilidade dos preços internacionais de produtos agrícolas. Outros, encabeçados pelos europeus, insistiram em normas ambientais e sociais no comércio internacional.

“Numerosos ministros”, segundo a OCDE, acham que a instabilidade dos preços agrícolas aumentará nos próximos anos. Outros discordam. Entre os países que querem um retorno à regulamentaçao mais forte, para limitar a instabilidade, o Brasil ficou no lado dos liberais. “O mercado funcionando bem, regula melhor os precos”, resumiu Guimarães.

Valor Econômico