Cobrar mais pelo uso pode ser a solução para a água

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Preços mais altos para diminuir o desperdício e financiar melhorias no sistema de distribuição é a idéia defendida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico como uma das respostas para lidar com a escassez do recurso

Questões como a necessidade de aprimorar a eficiência no uso, tratamento e distribuição são discutidas diariamente ao redor do mundo, porém o fato é que um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável segundo dados oficiais da ONU.

Atualmente, existe um movimento de especialistas para que a cobrança sobre o uso da água aumente como uma forma de arrecadar dinheiro para lidar com o problema. Em Washington, por exemplo, há um plano de dobrar o preço da água ao longo dos próximos cinco anos para ajudar a cidade a restaurar os encanamentos que já têm 76 anos de idade.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que acaba de publicar três relatórios sobre a questão, colocar o preço certo sobre a água incentivará as pessoas a desperdiçar e poluir menos e investir mais em infra-estrutura.

Em muitos países, tarifas já são aplicadas sobre o uso da água, tendo aumentado principalmente em conjunto com os investimentos em sistemas de tratamento de efluentes mais adequados ambientalmente. Os preços variam bastante, sendo que uma banheira cheia pode custar dez vezes mais na Dinamarca e Escócia do que no México, mostra o relatório Pricing Water Resources and Water and Sanitation Services.

O desafio, segundo a OCDE, é equilibrar objetivos financeiros, ambientais e sociais nas políticas de precificação da água.

Setores

Atualmente a agricultura utiliza mais água do que as residências e indústrias juntas, cerca de 70% do consumo global de água potável. O relatório Sustainable Management of Water Resources in Agriculture demonstra que apesar deste uso ter diminuído em alguns países, principalmente no leste europeu, alguns países da OCDE, como Grécia, Coréia, Nova Zelândia e Turquia registraram grandes aumentos desde a década de 1990.

Em 2050, as projeções indicam que o consumo de água direcionado à produção agrícola para alimentar a crescente população mundial deve dobrar. O relatório sugere que os agricultores paguem não apenas os custos operacionais e de manutenção da água, mas também parte dos custos da infra-estrutura. É citado o exemplo da Austrália, que conseguiu cortar a água para irrigação pela metade sem perdas na produção.

Financiamento

O relatório Innovative Financing Mechanisms for the Water Sector examina maneiras de atrair novos recursos financeiros para fortalecer investimentos nos serviços de água e saneamento. Por exemplo, o estado indiano de Tamil Nadu melhorou o acesso ao mercado de pequenas usinas de resíduos ao juntar os projetos de água e saneamento em pacotes de investimento e combinar diferentes fontes de capital para financiar os pacotes. Isto reduz o risco de inadimplência, aumenta o volume financeiro e corta custos transacionais.

Outros mecanismos financeiros inovadores que têm sido implantados com sucesso incluem a mescla de subvenções e financiamentos reembolsáveis e micro-financimento.
(Envolverde/Carbono Brasil)