Primeiras estimativas sobre pagamento pelos serviços ambientais da água

domingo, 27 de junho de 2010

Um mercado inovador relacionado a qualidade da água está emergindo rapidamente ao redor do mundo com países como Brasil, China e Estados Unidos investindo bilhões em esquemas que recompensar as pessoas por proteger os recursos hídricos, demonstra um novo relatório.

Sendo o primeiro a quantificar o pagamento pelos serviços ambientais (PSAs) das fontes de água, o relatório apresenta o crescimento no número de regiões que estão respondendo a indicadores assustadores, como a quantidade de “zonas mortas” nos cursos d’água globalmente.

Os especialistas do Ecosystem Marketplace identificaram cerca de 288 programas resultando em estimados US$ 9,3 bilhões em pagamentos pela proteção das águas em 2008, incluindo programas onde os proprietários da terra são pagos para manter a qualidade das águas e outros onde as indústrias e outros poluidores cumprem padrões de qualidade ao comprar ou vender créditos de redução da poluição.

Ao longo das últimas décadas, o investimento total foi de US$ 50 bilhões e afetou 3,24 bilhões de hectares em vertentes, que são os locais que direcionam a água para os rios e outros.

Marta Echavarria, co-autora do relatório, disse que as análises mostraram que muitos programas hídricos ao redor do mundo são focados no manejo mais efetivo das florestas. Assim, ela comentou que faz sentido conectar as questões de qualidade da água com a discussão das mudanças climáticas, se referindo ao uso dos pagamentos e esquemas de comércio para reduzir o desmatamento e a degradação (REDD).

O relatório encontra evidências que os esquemas de comércio de créditos da água, assim como os de carbono, podem expandir rapidamente, especialmente nos Estados Unidos onde o Departamento de Agricultura criou um Gabinete de Mercados Ambientais e diversos esquemas já estão implantados, como no caso da Baía Chesapeake.

Fundos governamentais ainda são a maioria no pagamento pela qualidade da água, mas há indícios de interesse de grandes players do setor privado, como da Coca-cola que já tem programas estabelecidos. Na França, desde 1990 a Nestlé tem pago agricultores para manejar os dejetos animais e restaurar áreas sensíveis para proteger fontes de água mineral utilizadas na linha Vittel.

Na China os pagamentos para proteção de vertentes aumentaram de US$ 1 bilhão em 2000 para US$ 7,8 bilhões em 2008, protegendo e restaurando 270 milhões de hectares.

Mas os autores argumentam que a China e os Estados Unidos podem aprender muito com as inovações introduzidas na América Latina, onde os governos estão experimentando novas maneiras de pagamento e novos métodos para mensurar e monitorar seus impactos.

Dez países latino-americanos têm iniciativas sendo desenvolvidas, como Costa Rica, México e Brasil, onde o Espírito Santo implantou um programa para incentivar os produtores de laticínios em três bacias hidrográficas a fechar os pastos visando melhorar a qualidade e o fluxo da água.

Os agricultores recebem por cada litro de leite perdido devido ao encerramento das atividades, com grande parte do dinheiro vindo de tarifas de água e royalties do petróleo, gás e exploração hidroelétrica.
(Envolverde/Carbono Brasil)