Empresa pública de gestão da pesquisa e inovação industrial é prioridade

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) está trabalhando para que comece funcionar o quanto antes a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), instituição que terá o papel de estimular a parceria com o empresariado nacional na área da inovação. A afirmação é do ministro da pasta, Marco Antônio Raupp, que esteve no dia 16 de março de 2012 reunido com empresários da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Segundo ele, a Embrapii é uma das prioridades de sua gestão.

A nova organização seguirá o modelo de funcionamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ao tomar posse, em janeiro de 2012, Raupp disse que a “Embrapa da Indústria” vai colocar à disposição das empresas laboratórios de tecnologia como o do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado à Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), e centros de alto desempenho do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Segundo ele, a Embrapii “vai articular e estimular a demanda empresarial no país todo, em pesquisa, desenvolvimento, serviços tecnológicos”. Raupp destacou que a articulação da demanda será feita com a oferta existente no país ou no exterior.

O objetivo é que “as empresas tenham uma estrutura da parte do governo que ofereça soluções para várias questões tecnológicas que sejam colocadas”. Raupp lembrou que o modelo da Embrapa de gerar tecnologia teve um efeito significativo no agronegócio brasileiro. “Estamos hoje nos primeiros lugares em quase todos os produtos [que envolvem tecnologia agrícola]. Algo desse porte tem de ser feito para a indústria e nós estamos começando isso”.

O ministro lamentou que as empresas não invistam muito em pesquisa e desenvolvimento no país e reconheceu que isso ocorre por fatores como o elevado custo Brasil e a falta de estímulos tributários. Por outro lado, disse Raupp, “nenhum governo gosta de abdicar das suas receitas, que são receitas tributárias”.

Qualquer desoneração, a título de medida de estímulo, de acordo com Raupp, deverá ser adotada desde que se saiba onde há perdas ou ganhos, se será estimulada a geração de empregos a partir da pesquisa, se haverá desenvolvimento de mais produtos, maior ganho e mais recolhimento de impostos. “Esse balanço é que tem de ser feito. E não cortar sem saber direito qual é a consequência disso. Isso tem de ser feito caso a caso e analisando todo o efeito na cadeia de produção”.

Raupp recebeu do presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, um documento contendo reivindicações do setor industrial fluminense para a política de ciência, tecnologia e inovação. Entre elas, destacam-se a realização de estudo do governo, em parceria com a indústria, sobre o uso do poder de compra em novos setores estratégicos; isenção da incidência de tributos em bolsa paga por instituição privada; garantia de que parte dos recursos provenientes dos royalties do pré-sal seja destinada a apoiar o aumento da competitividade produtiva no país, com base em programas e projetos inovadores; fortalecimento da engenharia nacional; ampliação do esforço de qualificação no ensino de matemática.

Gouvêa Vieira disse que as reivindicações constituem uma agenda que o empresariado está construindo há algum tempo, com o objetivo de “unir justamente a academia, a pesquisa e a tecnologia às empresas, para ver como nós podemos ajudar para que as coisas caminhem juntas para a melhor produtividade brasileira”.

Agência Brasil