Emissão de gases mapeada

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Segundo maior produtor de carne bovina do mundo, o Brasil já tem à disposição um mapeamento inédito das emissões de gases de efeito estufa geradas durante todo o ciclo de vida da pecuária de corte. Após dois anos de testes realizados numa propriedade rural de São Borja, o zootecnista e pesquisador do Nespro/Ufrgs Clandio Ruviaro chegou à conclusão de que as emissões de CO2 equivalente para cada quilo de ganho de peso podem variar de 18,47 kg a 37,18 kg, dependendo, principalmente, do tipo de dieta. Para se ter uma ideia, calcula-se que, em média, um automóvel gere 170 gramas por quilômetro rodado. O resultado do primeiro estudo brasileiro baseado na Avaliação do Ciclo de Vida será apresentado na 7 Jornada Nespro, dia 28, em Porto Alegre.

Além das emissões resultantes da extração dos minerais utilizados para a fabricação de fertilizantes, a pesquisa contemplou o impacto gerado pela energia elétrica consumida na fabricação dos agroquímicos, pelo diesel usado na logística, além dos gases emitidos no processo digestivo dos animais, da gestação ao ponto de abate. Como a metodologia já é utilizada há mais de uma década em países como Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia, Ruviaro acredita que os dados poderão servir como diferencial competitivo da pecuária brasileira no mercado exterior. “Os consumidores, principalmente os europeus, estão cada vez mais exigentes com o quesito sustentabilidade”, avaliou.

Conforme o coordenador do Nespro e orientador do estudo, Julio Barcellos, na produção dentro da porteira já existem algumas evidências de que melhorias na qualidade dos pastos e na seleção genética de animais, com melhores taxas de conversão alimentar, são fatores que colaboram com a mitigação de gases de efeito estufa.

Na próxima etapa, a pesquisa irá avaliar o sequestro de carbono das pastagens. A coordenadora técnica da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Gabriela Tonini, considerou o trabalho fundamental para o setor. De acordo com ela, até então, os estudos eram questionáveis, pois não contemplavam a realidade nacional. A expectativa é que os dados também sirvam de suporte para autoridades brasileiras em negociações internacionais envolvendo emissões.

Fonte: Correio do Povo