Pessimismo marca abertura de reunião climática da ONU no Qatar

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Apesar do crescente alarme sobre a mudança climática, quase 200 nações reunidas a partir desta segunda-feira (26) em Doha pouco terão a oferecer além de palavras sobre a necessidade de conter as emissões de gases de efeito estufa.

O provável fracasso na definição de uma prorrogação significativa do Protocolo de Kyoto – tratado que obriga as nações desenvolvidas a reduzirem suas emissões – deve também enfraquecer a busca por um novo acordo que junte países ricos e pobres na luta contra o aquecimento global a partir de 2020.

“A situação é muito urgente. Não podemos mais dizer que a mudança climática é um problema para amanhã”, disse Andrew Steer, presidente do Instituto dos Recursos Mundiais, de Washington, nos EUA.

Há dois anos, numa conferência semelhante, os países da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiram limitar o aquecimento global a 2° C acima dos níveis pré-industriais. Mas as emissões de gases do efeito estufa bateram um novo recorde no ano passado, apesar da desaceleração da economia global.

Na semana passada, um estudo divulgado pela ONU mostrou que o mundo se encaminha para um aumento de 3° C a 5° C nas temperaturas médias, o que pode causar mais inundações, secas, ondas de calor e elevação dos níveis dos mares.

“Uma resposta mais rápida à mudança climática é necessária e possível”, disse Christiana Figueres, diretora do Secretariado de Mudança Climática da ONU, em nota na qual delineou as expectativas para o encontro, que vai até a sexta-feira da semana que vem, dia 7 de dezembro.

A reunião acontece em um amplo centro de convenções do Qatar, primeiro país da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a receber a conferência climática anual, e a nação do mundo com a maior taxa per capita de emissões de gases do efeito estufa – quase o triplo da média americana.

Para manter alguma ação climática em vigor, a maioria dos países é favorável à prorrogação do Protocolo de Kyoto, que foi adotado em 1997 e expira no fim de 2012. Esse tratado obrigava as nações desenvolvidas a reduzir suas emissões em um volume médio de 5,2% em relação aos níveis de 1990.

Mas os EUA nunca concluíram sua adesão ao tratado, enquanto Rússia, Japão e Canadá se desvincularam nos últimos anos. Assim, restaram como principais aderentes a União Europeia e a Austrália, que representam apenas 14% das emissões mundiais.

As nações não-participantes dizem que não faz sentido prorrogar o Protocolo de Kyoto se grandes nações em desenvolvimento, como China, Índia, Brasil e África do Sul, não sofrerem restrições legais ao aumento de suas emissões.

Os países em desenvolvimento e os apoiadores de Kyoto alegam que os países desenvolvidos precisam liderar o movimento rumo a um novo acordo global, a ser negociado até o final de 2015, para entrar em vigor em 2020.

Fonte: G1