Brasil quadriplica os mestres e doutores

domingo, 26 de maio de 2013
O número de mestres e doutores formados pelas universidades brasileiras mais que quadruplicou em 15 anos, passando de 13.219 (em 1996) para 55.047 (em 2011). O aumento é de 312%, segundo uma compilação inédita divulgada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O relatório, chamado “Mestres 2012”, é uma continuação do “Doutores 2010”, lançado três anos atrás. Juntos, eles fornecem um raio X detalhado da pós-graduação no país, levando em conta dados do Censo
Demográfico do IBGE, do MCTI e ainda dos Ministérios da Educação e do Trabalho e Emprego. Entre os mestres, o crescimento foi impulsionado, em grande parte, pelo aumento no número de cursos de mestrado em instituições de Ensino particulares, cuja participação na formação nacional de mestres cresceu de 13,3% (em 1996) para 22,4% (em 2009), quase empatando com as estaduais, que contribuíram com 25%. Em números absolutos, as instituições particulares formaram 8.696 mestres em 2009; enquanto as estaduais formaram 9.712; e as federais, 20.142. “As privadas formam menos, porém cresceram mais que as públicas no período”, assinala o diretor do CGEE, Antonio Carlos Galvão, que supervisionou o estudo. Os dados mostram também uma descentralização da pós em termos regionais. A região Sudeste, apesar de ainda ser predominante, viu sua participação em número de programas de mestrado cair, de 62% para 50%. “A pós-graduação começou no Sudeste, por isso essa concentração. Mas, nos últimos anos, vem se expandindo um pouco na região Sul, mais lentamente no Nordeste e, recentemente, no Norte e no Centro- Oeste”, revela o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), Jorge Guimarães.Um dos principais destaques do estudo, segundo Antonio Galvão, é que os mestres têm maior inserção no mercado de trabalho não acadêmico que os doutores. Do total de mestres formados entre 1996 e 2009, cerca de 40% estão empregados no setor de Educação, comparado a cerca de 80% de doutores, mostrando que os doutores apresentam mesmo perfil mais acadêmico. “E corrobora a ideia de que o mestrado não é só uma etapa de graduação: é uma titulação com finalidade própria, que tem um encaixe social mais abrangente”, observa o supervisor do estudo.

Fonte: Correio do Povo