Sobram recursos para investir, mas ainda faltam projetos qualificados

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Hoje há mais recursos disponíveis para investir em inovação do que projetos qualificados para recebê-los. Essa é a opinião unânime de gestores de fundos de venture capital especializados em identificar oportunidades entre as micro e pequenas empresas com alto potencial de crescimento. Nos últimos cinco anos, pipocaram novos fundos constituídos com dinheiro público e privado para investir em capital de risco. A maioria formado por profissionais que querem multiplicar os recursos de seus fundos identificando projetos inovadores e escaláveis no mercado em que atuam.

“Se o Brasil, por um lado, sofre em não ter volume de desenvolvimento de novas tecnologias e em copiar e adaptar muitas versões de startups estrangeiras, por outro, desponta em seus centros de excelência, incubadoras e aceleradoras que, além de ajudar o empreendedor, avançam com o conceito de inovação aberta”, afirma Humberto Matsuda, sócio da Performa Investimentos, gestora que administra RS 200 milhões em dois fundos de venture capital.

Apesar de estarmos engatinhando, o fato é que no quesito inovação, as empresas de menor porte saem na frente das grandes, na opinião de Francisco Jardim, sócio fundador da gestora SP Venturas. “Apesar da dificuldade em encontrar projetos consistentes, é certo que as micro e pequenas têm uma capacidade maior de inovar e com mais desenvoltura do que grandes, que demoram e não conseguem fazer mudanças radicais”, afirma Jardim, que é também gestor responsável pelo fundo Criatec, criado em 2009 pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em parceria com o Banco do Nordeste para fomentar inovação em empresas que faturem até R$ 6 milhões.

Em quatro anos, investiu R$ 25 milhões em oito empresas com alto potencial de crescimento e está estruturando um terceiro fundo, que será lançado em até 90 dias, e terá R$ 100 milhões para aplicar em inovação médica, agrícola, biotecnologia e nanotecnologia.

O maior desafio ao empreendedor é descobrir como se tornar atraente para ter acesso a esse tipo de capital. “Tem que ter inovação genuína, difícil de ser copiada. E um empreendedor talentoso, difícil de ser substituído”, indica Juliano Seabra, presidente do Instituto Endeavor do Brasil. Mas é preciso mais do que isso.

Pensar grande, em como turbinar seus negócios além das fronteiras regionais e nacionais e mostrar que aquela tecnologia tem potencial relevante no mercado onde quer entrar. “Isso porque o capital de risco sabe que metade (ou mais) das empresas que tem no portfólio vai morrer. Então, quem der certo, tem que compensar”, avalia Jardim. Para que isso aconteça, a inovação tem que ser percebida como algo que vai melhorar a vida do usuário e ser endereçada a uma grande massa de pessoas, porque os fundos vão se interessar por esse potencial de crescimento.

Fonte: Valor Económico