CNPq, Capes e Fapesp debatem impactos na pesquisa científica e tecnológica

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os presidentes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, e o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), estiveram reunidos nesta terça-feira (23), para um debate sobre os impactos da pesquisa científica e tecnológica no Brasil. O encontro ocorreu na 65° Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Glaucius foi o primeiro a proferir palestra antes do debate. Na apresentação, dissertou sobre os principais desafios do setor no cenário nacional. “Ciência de maior impacto, qualidade e relevância, internacionalização, inovação e patentes, formação de pessoal qualificado para inovação nas empresas, investimento em inovação pelas empresas, ampliar a percepção da sociedade sobre o valor e importância da ciência e atração de talentos para a ciência e educação básica são pontos que necessitamos melhorar atualmente para desenvolver uma ciência de maior impacto e qualidade no país”.

O investimento em disciplinadas alinhadas com a formação profissional do indivíduo na educação superior foi ressaltado como um fator propulsor da qualificação dos brasileiros candidatos a pesquisadores. “A graduação no país é muito pouco dinâmica, empreendedora e inovatória. Nós formamos alunos na base da matéria dada apenas na sala de aula e muito giz, e depois exigimos criatividade, iniciativa e outras qualificações que devem estar atreladas às atividades do profissional na indústria. Deveríamos ter outra dinâmica no ensino para que os jovens estivessem mais ocupados com disciplinas práticas”, opinou.

Segundo Glaucius, investir em conhecimento é uma decisão estratégica. “O principal insumo de uma nação são as pessoas, o capital humano”, disse. “A ciência brasileira é fortemente moldada pelas políticas de avaliação do CNPq, Capes e agências de fomento estaduais. Nós temos que continuar criando mecanismos para aperfeiçoar a formação”.

A avaliação qualitativa dos institutos responsáveis pela formação pode auxiliar neste processo de implantação de novas metodologias, segundo o presidente do CNPq, que lembrou a existência de mecanismos responsáveis por tentar combater as distorções induzidas.

“Alguns métodos como inflação de auto citações recíprocas, a decomposição de pesquisa em unidades mínimas publicadas, o fomento à rotina em publicações contadas da mesma forma, independente, do veículo e do ineditismo da pesquisa podem atrapalhar nossa percepção sobre o que é necessário”, destacou. “Não produzir nada ou muito pouco é sempre ruim, mas publicar muito não é necessariamente bom”.

Por último, Glaucius afirmou que é possível aumentar a produção científica e ao mesmo tempo produzir mais inovação, comunicação com a sociedade, relevância e qualidade na ciência e tecnologia brasileira.

Jorge Guimarães também concorda que o investimento na educação é um fator determinante para impulsionar a inovação no país e elogiou o desenvolvimento econômico brasileiro. “Um país que passou dezenas de anos abandonando à educação básica, nesse desleixo, e hoje é a sexta economia mundial, é admirável. Outro avanço a destacar, é que temos o melhor sistema de automação bancária do mundo. Mesmo com essa dificuldade conseguimos ser efetivos em áreas onde somos lideres mundiais”, ressaltou.

Já Carlos Henrique de Brito lembrou que hoje, ainda, 85% da produção científica é feita nas universidades, que precisam proteger o pesquisador das tarefas extra-científicas. “Nosso mundo acadêmico, em termos de impacto mundial, precisa contribuir mais, desenvolver cooperação internacional, aumentar a visibilidade e impactos de revistas brasileiras, estimular a qualidade e o mérito”, disse. “Comparando às instituições nacionais com as internacionais, o apoio é o diferencial. Nos EUA existe um departamento que protege a burocracia do pesquisador”, informou.

Segundo Brito, as agências devem cobrar mais das instituições, pois senão o financiador das pesquisas não tem como exigir mais dos pesquisadores. “Temos ainda poucas referências produzidas no país. Se o pesquisador estiver concentrado nas suas tarefas, fica mais fácil criar ”, observou.

Coordenação de Comunicação Social do CNPq