Ministro Raupp aponta compromissos da ciência com o desenvolvimento do país

terça-feira, 23 de julho de 2013

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, apontou neste domingo (21), na abertura da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife (PE), alguns desafios da vida nacional que, a seu ver, exigem compromissos vigorosos por parte da ciência.

“A sociedade brasileira investiu na construção do nosso sistema de ciência e tecnologia. É hora de mostrarmos que esse investimento foi uma decisão correta, de retribuir ao país o que o país fez pela ciência”, disse Raupp. “Por uma série de razões, a prática científica tem compromissos naturais com o local onde ela é realizada. No caso do Brasil, haveremos de reconhecer que a ciência deu contribuições importantes à sociedade, resultado de um sistema muito bem montado, com destacada contribuição da SBPC.”

Desafios – Para o ministro, o comprometimento da ciência com o desenvolvimento nacional é decisivo em temas como a qualidade da educação, o equilíbrio socioeconômico regional, o aperfeiçoamento de políticas públicas e, em busca de mais inovação tecnológica, a atividade de pesquisa nas empresas.

“A educação é a base da cidadania, da soberania e também da própria ciência”, argumentou Raupp. “Em relação ao ensino fundamental, nosso mais estreito e renitente gargalo, conseguimos vencer o desafio quantitativo da universalização do acesso. Mas o principal desafio, que é o qualitativo, ainda está longe de ser superado.”

O ministro previu que o desafio da qualidade da educação “continua e continuará persistindo enquanto não encontrarmos soluções para questões como recuperação do status da escola, qualificação dos professores e desenvolvimento de metodologias de ensino compatíveis com o jovem de hoje e capazes de proporcionar efetivo aprendizado”. Na opinião dele, a comunidade científica precisa contribuir para soluções definitivas.

Raupp destacou o esforço do MCTI na redução das desigualdades regionais. “De uns tempos para cá, editais e programas do nosso ministério têm procurado garantir uma participação mínima de instituições do Norte e do Nordeste”, afirmou. “Há uma percepção de que essa política vem proporcionando resultados positivos, mas creio que, além de ser mantida, precisamos de ações de maior envergadura, para fazer com que a atividade científica seja um elemento de superação dos desequilíbrios.”

O terceiro compromisso apontado pelo ministro diz respeito à Administração Pública: “A modernização do país passa pelo aperfeiçoamento de políticas, principalmente na área ambiental e também nas áreas sociais, como educação, saúde, transporte e habitação. A amplitude de atuação da ciência brasileira e o nível de qualificação que atingimos nos habilitam a uma contribuição igualmente qualificada a órgãos públicos federais, estaduais e municipais.”

Aumentar a inovação tecnológica por parte das empresas fecha o grupo de caminhos a percorrer. “A geração da riqueza que o país precisa vai depender cada vez mais da agregação de valor à produção, o que faz por exigir uma maior participação da ciência e da tecnologia na economia”, completou.

“Temos condições para isso? Não há dúvida que sim. O passo fundamental já está dado, ou seja, já contamos com um sistema que sabe produzir ciência e tecnologia”, afirmou Raupp. “Se esse saber está mais focado na produção científica de natureza acadêmica, o que precisamos fazer é expandir o sistema para os setores industriais e de serviços. Ciência e inovação, quando articuladas entre si, promoveram não só riqueza econômica, mas principalmente avanços significativos na trajetória da humanidade.”

Cooperação – Durante seu discurso, o ministro dividiu o sistema nacional de ciência e tecnologia em um “conjunto completo de subsistemas, que funcionam harmonicamente”. De acordo com Raupp, formam o arcabouço a graduação, com perfil institucional diverso e dinâmico; a pós-graduação, que cresce e se qualifica simultaneamente; a pesquisa, que articula laboratórios aos demais subsistemas; e o financiamento, com agências federais e estaduais.

Ao comentar o tema da reunião, “Ciência para o novo Brasil”, o ministro relacionou circunstâncias que devem estimular uma postura proativa dos cientistas. “O país vive um ciclo de desenvolvimento econômico e social consistente, a sociedade tem expectativas de contar com uma maior parceria da ciência, enquanto o governo federal vem adquirindo uma consciência cada vez maior do caráter imprescindível da ciência para se promover melhorias significativas na nação. Ou seja, o governo está depositando na comunidade científica a credibilidade e a confiança que os cientistas precisam para trabalhar.”

O encontro da SBPC, realizado anualmente desde 1948, segue até sexta-feira (26), no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As atividades incluem conferências, simpósios, mesas-redondas, sessões especiais e minicursos, com intensa participação do MCTI.

Texto: Rodrigo PdGuerra – Ascom do MCTI