Relatórios climáticos da ONU devem ser mais concisos, dizem críticos

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O painel climático da Organização das Nações Unidas (ONU) deveria se preocupar em fazer relatórios mais curtos e focados, em vez de avaliações abrangentes como a que será publicada nesta sexta-feira (27), em Estocolmo, na opinião de vários cientistas e governos.

Os grandes estudos sobre mudanças climáticas, produzidos a cada seis ou sete anos pelo Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), são muito respeitáveis, mas a produção consome muito tempo e, em alguns casos, os textos se desatualizam rapidamente.

“Um arrasa-quarteirão a cada seis anos não é realmente útil”, disse Myles Allen, professor da Universidade de Oxford e um dos autores que contribuíram com um sumário das conclusões do IPCC a ser apresentado nesta sexta na Suécia.

Muitos especialistas acham que seria aconselhável produzir relatórios mais frequentes e focados sobre secas, inundações e ondas de calor, por exemplo, para avaliar se as mudanças climáticas estão influenciando em sua frequência ou severidade.

Já os relatórios especiais poderiam focar em questões como a produção de alimentos sob um clima em constante mutação, as perspectivas de geoengenharia – projetos para reduzir a incidência de luz solar – ou os riscos de mudanças irreversíveis, como o rápido degelo da Antártica.

3 mil páginas – O IPCC está trabalhando em três relatórios de visão geral, com cerca de 3 mil páginas no total. Os resultados serão divulgados primeiro em um sumário de 31 páginas a ser lançado nesta sexta, após passar quatro dias sendo editado por cientistas e representantes governamentais reunidos em Estocolmo.

Um grande trunfo do IPCC é que as avaliações climáticas são aprovadas tanto por cientistas quanto por governos, o que dá a esses textos uma ampla aceitação nas negociações para um acordo climático global, a ser aprovado até 2015. Possíveis reformas serão discutidas em outubro na Geórgia, na fronteira entre Europa e Ásia.

“Apoio o ciclo global de avaliação, mas argumentamos fortemente pela necessidade de complementá-lo com atualizações frequentes”, disse o diretor do Centro de Resiliência de Estocolmo, Johan Rockstrom.

Sugestões dos países – O governo dos EUA apresentou este ano propostas para reformas no IPCC, também defendendo mais relatórios especiais.

Já a Grã-Bretanha sugeriu ferramentas tipo “wiki”, para permitir atualizações mais frequentes, e a Itália argumenta que não há a “necessidade automática” de mais um grande relatório sobre a ciência das mudanças climáticas, como o que será lançado na Suécia, que deve apontar uma probabilidade de 95% de que o aquecimento global tenha causas humanas. (Fonte: G1)