MMA realiza Encontro Nacional de Formação do Programa Água Doce

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) promove o 5º Encontro Nacional de Formação do Programa Água Doce, em Fortaleza (CE), de 25 a 29 de novembro. Durante o evento, serão apresentados os diagnósticos que apontam as condições socioambientais e informações sobre os sistemas de abastecimento de água das comunidades rurais de regiões do semiárido que sofrem com a falta de água potável.

Serão apresentados os estudos dos seguintes Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe. Os dados correspondem à primeira etapa do programa. Em parceria com instituições federais, estaduais, municipais e a sociedade civil, o objetivo do programa é estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para o consumo humano, com a instalação desses sistemas de dessalinização nas comunidades mais carentes da região.

Metodologia – O coordenador nacional do Programa Água Doce (PAD), Renato Saraiva Ferreira, reforça que esse encontro com os técnicos dos órgãos públicos e das instituições conveniadas é de extrema importância para que as próximas etapas do programa sejam executadas corretamente. “Estaremos reunidos para garantir que a metodologia e os cuidados técnicos, sociais e ambientais sejam garantidos”, enfatiza.

O encontro permitirá capacitar e integrar os técnicos das equipes estaduais e das empresas contratadas para execução das próximas etapas do Programa Água Doce. As etapas 2 e 3 correspondem à implantação/recuperação e monitoramento/manutenção dos sistemas de dessalinização e Unidades Produtivas, que são sistemas de produção sustentável integrados por três subsistemas independentes. Os sistemas de dessalinização funcionam como um purificador da água coletada por meio de poços já existentes nas comunidades beneficiadas.

Capacitação – O Água Doce tem como meta aplicar a metodologia do programa na recuperação, implantação e gestão de 1.200 sistemas de dessalinização até 2015, com investimentos de cerca de R$ 209 milhões e beneficiando cerca de 500 mil pessoas. Participarão do evento representantes do governo federal, estadual, municipal, das comunidades beneficiadas pelo programa e das empresas contratadas para realizar os diagnósticos. O programa já capacitou mais de 600 pessoas, entre técnicos estaduais, operadores e gestores dos sistemas de dessalinização.

O evento contará, ainda, com oficinas de formação e atualização, palestras, visita a campo, debates e atividades de integração. Na ocasião, também será lançada a publicação “Cuidando da nossa água”, que corresponde ao componente de sustentabilidade ambiental do programa Água Doce, além do documento base do programa e o resumo executivo dos planos estaduais.

Beneficiários – Cerca de 100 mil pessoas, dentre 150 comunidades, são beneficiadas pelo Programa Água Doce, que abrange os nove Estados do Nordeste e Minas Gerais. Lançado em 2004, o programa passou a fazer parte do Plano Brasil Sem Miséria em 2011, dentro do programa Água para Todos. O Água Doce visa atender, prioritariamente, localidades rurais difusas do semiárido brasileiro, com municípios mais críticos e áreas mais suscetíveis ao processo de desertificação.

No município São José do Seridó, no Rio Grande do Norte, foi instalada, em 2007, a primeira Unidade Demonstrativa com sistemas de dessalinização do Brasil no assentamento Caatinga Grande. A presidente da Associação de Mulheres e operadora do sistema dessalinizador, Eva Toscano, explica que a unidade melhorou a qualidade da água consumida por 90 famílias, beneficiando cerca de 450 pessoas.

No primeiro momento a água é captada pelo poço profundo, enviada a um dessalinizador e em seguida armazenada em um reservatório para distribuição. No segundo, o resíduo do dessalinizador, água muito salina, é utilizado para o cultivo da tilápia. Em seguida, o concentrado dessa criação, rico em matéria orgânica, é aproveitado para a irrigação da erva-sal (Atriplex nummularia), que, por sua vez, é utilizada na produção de feno para a alimentação de ovinos e caprinos da região, fechando, assim, o sistema de produção ambientalmente sustentável.

A partir de 2010, as ações da iniciativa passaram a ser orientadas pelos Planos Estaduais de Implantação e Gestão do Programa Água Doce. A meta é atender um quarto da população rural do Semiárido até 2019, ou seja, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas em 10 anos. Fonte: MMA