Desafios para a internacionalização da ciência

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A burocracia do governo, a falta de um maior intercâmbio entre pesquisadores, a publicação de artigos de qualidade, são alguns empecilhos à internacionalização da ciência brasileira. Diante desse cenário, a XV Reunião Científica Anual do Instituto do Butantan, trouxe como tema este ano a “Internacionalização da Ciência Brasileira: Caminhos e Desafios para o Instituto Butantan”. O encontro foi realizado entre os dias 4 e 6 de dezembro.

“O Instituto Butantan é internacional desde a sua origem por conta de seu trabalho. Mas perdemos a liderança em alguns grupos, mas queremos recuperar esta posição”, disse Jorge Kalil, diretor do instituto no último dia de evento. “O mundo todo olha para o Butantan por conta das suas vacinas inovadoras, dentre elas, a da dengue”, comentou.

Mesmo com o reconhecimento, o instituto precisa se internacionalizar, mas para isso, é preciso ser mais ágil. Mas, o excesso de burocracia atrapalha, disse Kalil. “Há uma regra da Secretaria de Saúde que diz que o pesquisador do Butantan não pode ficar fora mais de três meses. Neste período não dá para fazer um treinamento decente”, disse.

Segundo o diretor, outro problema enfrentado pelo Instituto é a falta de novos funcionários. “Mesmo assim, há um esforço de trazer novos pesquisadores. Existe ainda uma promessa de abertura de 50 vagas para o ano que vem”, disse. “Já começamos a mudar algumas coisas, como a reforma de nossas unidades fabris de acordo com as regras internacionais”, disse. “É salutar que o Butantan faça pesquisa. Estamos trabalhando para trazer uma produção inovadora”, completou.

Qualidade
O coordenador adjunto da Diretoria Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ,Walter Colli, que apresentou a palestra “A Fapesp e a inserção internacional da ciência feita em São Paulo”, concorda que o Instituto Butantan precisa se internacionalizar, mas ressalta que o Brasil também. “O país tem publicado mais artigos, mas com menos qualidade. Quando comparamos com outros países, como a Espanha, por exemplo, a qualidade dos artigos espanhóis é melhor. O que é lamentável”, disse.

Segundo Colli, a média dos impactos dos artigos publicados no Brasil é de 0,6%, em relação à produção mundial. “São Paulo consegue um pouco melhor e pula para 0,8%”, afirmou. Já o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, que apresentou a palestra “Internacionalização da Ciência Brasileira: Programa Ciências sem Fronteiras”, disse que a ciência tem cumprido seu papel pelo desenvolvimento brasileiro, mas que é preciso avançar mais.

Ao citar dados do programa Ciência sem Fronteiras, Oliva disse que um dos entraves é a língua inglesa. “Cerca de 60% das bolsas são concedidas para cursos de graduação. Quando o programa foi lançado, a ideia era que a procura fosse maior por alunos de pós-doutorado. O lado bom é que esses alunos estão voltando com outra cabeça e o Brasil terá que se adaptar”, disse.

Segundo Oliva, a falta de demanda para cursos de pós-graduação é por conta da língua. “Em diversos países os cursos são todos ministrados em inglês. A China tem cinco cursos em universidades diferentes em inglês”, disse. “Infelizmente o Brasil não tem nenhum curso de pós-graduação ministrado em inglês. E isso precisa mudar”, finalizou.

Fonte: Jornal da Ciência