Estudo diz que seres humanos estão se tornando “mais carnívoros”

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As economias de rápido crescimento da China e da Índia estão direcionando um aumento global no consumo de carnes, anulando a redução em outros locais, de acordo com um amplo estudo do consumo global de alimentos.

O trabalho, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, fez uma avaliação detalhada sobre o que as pessoas comem, bem como as tendências de um país para outro. É também a primeira vez que os pesquisadores calcularam o nível trófico da humanidade, uma medida usada em ecologia para posicionar as espécies na cadeia alimentar.

O estudo, conduzido por Sylvain Bonhommeau, cientista da área de pesca do French Research Institute for Exploitation of the Sea em Sète, estima que que o nível global trófico da humanidade era de 2,21 em 2009, o que a colocava no mesmo nível que outros onívoros, como suínos e anchovas, na cadeia alimentar global. “Estamos mais próximos aos herbívoros do que aos carnívoros. Isso muda o pré-conceito de sermos predadores do topo da cadeia”.

Cadeia alimentar 1

O estudo também avaliou como os hábitos de consumo mudaram ao longo do tempo. Globalmente, o nível trófico humano aumentou em 3% de 1961 a 2009, direcionado principalmente por mais consumo de carne na Índia e na China.

Nos últimos 50 anos, o aumento do consumo de gordura e carne fez com que os humanos subissem em nível da cadeia alimentar, com o nível trófico global médio humano aumentando em 3% – ou cerca de 0,06 – durante o período.

Cadeia alimentar 2

“Isso parece uma diferença pequena, mas quando você pensa sobre como isso é calculado, é grande”, disse o cientista ambiental da Alpen-Adria University, em Viena, Thomas Kastner, que não participou do estudo. Um nível trófico de um organismo é calculado somando os níveis tróficos dos alimentos em sua dieta e a proporção nas quais eles são consumidos. “Uma mudança de 0,1 significa que você está consumindo consideravelmente mais carne ou alimentos de origem animal”.

Porém, as mudanças não foram uniformes em todo o mundo. Países como China e Índia, onde centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza e frequentemente de dietas que envolviam pouco mais que arroz, mostraram aumentos marcados em seu nível trófico.

Entretanto, locais como Islândia, Mongólia e Mauritânia, onde dietas tradicionais são principalmente baseadas em carnes, peixes ou lácteos, viram seus níveis tróficos declinarem à medida que diversificaram seu consumo diário.

Referências

Bonhommeau, S. et al. Proc. Natl Acad. Sci. USA http://www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas. 1305827110 (2013).

Food and Agriculture Organization of the United Nations. Livestock’s Long Shadow (2006); disponível em http://go.nature.com/bfrthv

Fonte: Nature, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.