Mundo pode ter um ‘Brasil’ em terras degradadas

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Uma área quase do tamanho do Brasil pode estar degradada até 2050 se as terras no mundo continuarem sendo manejadas com práticas não sustentáveis, como acontece atualmente. Essa é a mensagem principal de um relatório divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a agência ambiental da ONU.

O estudo “Assessing Global Land Use: Balancing Consumption with Sustainable Supply” diz, no título, qual será o desafio da agricultura nas próximas décadas – equilibrar a demanda de uma população em crescimento com fornecimento sustentável. O relatório foi produzido pelo Painel Internacional de Recursos, um grupo formado em 2007 e que reúne 27 pesquisadores internacionais, 33 governos e outras organizações.

Por trás da ameaça de degradação estão também níveis “insustentáveis e desproporcionais de consumo”, diz o estudo, que analisa alimentos, biocombustíveis e fibras como o algodão.

A pressão sobre as áreas de cultivo globais também pode ocorrer de forma indireta, com a forte tendência de urbanização atual e a população migrando para as cidades. Mais de 5% da terra no mundo (algo perto de 15 bilhões de hectares) estará coberta por áreas construídas em 2050, informa o Pnuma.

Segundo material divulgado à imprensa, entre 1961 e 2007, as terras cultivadas globais cresceram 11%. O risco é de mais de 849 milhões de hectares estarem degradados até 2050.

“Reconhecendo que a terra é um recurso finito, precisamos nos tornar mais eficientes no modo que produzimos, distribuímos e consumimos produtos dela derivados”, diz Achim Steiner, subsecretário da ONU e diretor-executivo do Pnuma.

O estudo faz uma distinção entre o que chama de expansão de área de cultivo bruta e líquida. A expansão líquida é resultado do aumento da demanda por alimentos e biomassa. A bruta engloba a mudança de uma área de cultivo para outra, em função da perda de solo fértil em terras degradadas.

A boa notícia é que é possível garantir mais de 319 milhões de hectares de terra, até 2050, se o mundo seguir um conjunto de ações que não causem grandes ameaças à biodiversidade, à qualidade dos recursos hídricos, que não elevem a emissão de gases-estufa ou o uso excessivo de nutrientes. As ações englobam investimento na restauração de áreas degradadas, melhorias no manejo e planejamento do uso da terra, melhores práticas de produção e o combate ao desperdício.

É preciso, ainda, equilibrar segurança alimentar com a demanda por energia e elaborar políticas de desenvolvimento rural. Abordagens criativas, como “subsídios para a sustentabilidade” também podem ajudar a manter a produtividade do solo.

Fonte:  Valor Econômico