Rabobank apresenta perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Rabobank Brasil divulga um panorama sobre as principais commodities brasileiras, por meio do estudo “Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2014”, realizado pelo departamento de Pesquisa e Análise Setorial (FAR) do banco. O material contempla as principais tendências para os mercados de fertilizantes, açúcar, etanol e cana, café, algodão, soja, milho, bovinos, frango, suco de laranja e leite.

De acordo com o relatório do Rabobank, o cenário macroeconômico para 2014 aponta para recuperação gradativa da economia global. Além disso, o estudo também traz as expectativas para a taxa de câmbio em 2014. “Com a deterioração da balança comercial e o crescimento das despesas com serviços externos, o déficit brasileiro em transações correntes cresceu rapidamente. Como a entrada de recursos externos não seguiu o mesmo ritmo, a escassez de dólares passou a colocar pressão altista no câmbio”, explicou Robério Costa, economista-chefe do Rabobank.

Já o Brasil, segundo a análise do banco, terá o saldo em transações correntes da balança comercial com o crescimento de 4,0% do PIB, em 2013, para 4,3%, em 2014. O estudo também traça um cenário que a hipótese de câmbio ficará em torno de R$ 2,50/USD no Brasil ao final do ano (R$ 2,40/USD na média).

Destaques do estudo:

Fertilizantes

A queda nos preços internacionais de fertilizantes pode promover a retomada da demanda asiática. No lado da oferta, novas capacidades de produção devem vir em linha com o crescimento do consumo. A perspectiva é que os preços em 2014 continuem estáveis no primeiro semestre, mesmo após a forte queda nas cotações internacionais.

Assim como em 2013, o esperado aumento da demanda não necessariamente será traduzido em margens mais elevadas para todos os elos da cadeia de fertilizantes. As diferentes estratégias quanto ao gerenciamento de estoques e de volatilidade do câmbio devem fazer com que a indústria de fertilizantes continue a apresentar resultados bastante heterogêneos no próximo ano.

Açúcar, etanol e cana

As estimativas iniciais apontam para o quarto ano de excedente de produção de açúcar, na safra internacional 2013/14. Apesar de menor do que o estimado para a safra 2012/13, caso se confirme, o excedente elevará ainda mais a relação estoque/consumo do mercado mundial. Já a safra de cana no Centro/Sul do Brasil se aproxima da capacidade instalada e o volume de moagem em 2014/15 deverá ser semelhante ao observado na safra 2013/14. Esperam-se níveis de ATR ligeiramente melhores e mix de produção entre 44% e 46% para o açúcar.

A projeção de excedente, na safra internacional 2013/14, deve continuar pressionando os preços, que devem manter-se entre US$ 17 c/lb e US$ 18 c/lb na média, ao longo do ano. O câmbio será fator determinante no desenvolvimento dos preços em 2014. Quanto ao etanol, o aumento da demanda e o esperado aumento do preço da gasolina devem elevar o preço ao produtor. O litro do etanol hidratado e do anidro deve ficar em torno de R$ 1,29 e R$ 1,47, respectivamente, na média em 2014.

Café

As perspectivas apontam que a safra brasileira 2014/15 deve ser de alta. As perspectivas para a produção na Colômbia também são de crescimento, porém, na América Central a produção deve diminuir em 2014, dado o impacto da ferrugem na região. A produção mundial de café robusta deve aumentar e essa previsão deve-se, em grande parte, à expectativa de safra cheia no Vietnã.  As projeções preliminares para o ano-safra internacional de 2013/14 (out-set) sugerem que a produção mundial deve exceder o consumo pelo terceiro ano consecutivo.

Para os preços, as expectativas de mais um ano de excedente mundial e, consequentemente, de mais um ano de aumento dos estoques globais, indicam que existe pouco espaço para recuperações significativas dos preços internacionais. Os fatores com maior potencial para alterar essas perspectivas são o desenvolvimento dos cafezais brasileiros até meados de 2014 e os impactos da ferrugem na oferta da América central, no mesmo período.

Algodão

Os baixos preços no mercado global têm estimulado a substituição do algodão por outras culturas. Assim, a expectativa é de redução de 6,5% na produção mundial da fibra. Essa queda, porém, não deverá causar grande impacto nos estoques, uma vez que se prevê redução no consumo. Quanto ao plantio brasileiro, na nova safra 2013/14 espera-se aumento próximo a 12% em área, tendência oposta ao comportamento mundial e ao verificado em 2012/13, quando os preços estimularam a produção de grãos, em detrimento da pluma.

Para os produtores brasileiros, os custos operacionais da lavoura estão mais elevados este ano nas principais regiões produtoras do Brasil. Além disso, os investimentos em químicos deverão aumentar, dada a preocupação com a infestação da lagarta Helicoverpa armigera.

Soja

Com a oferta global estimada em 282 milhões de toneladas e demanda projetada em 269 milhões, a expectativa é de recomposição dos estoques internacionais de soja pelo segundo ano consecutivo. O Brasil deve contribuir com o aumento na oferta global do grão, com o plantio de 29 milhões de hectares, 4,5% maior que a safra anterior. A expectativa é que sejam colhidos 88 milhões de toneladas de soja, volume 8,8% superior ao registrado em 2012/13.

A estimativa é que a relação estoque/consumo global atinja 26,5%, em 2013/14, ante os 23,9% registrados no ciclo anterior. A provável recuperação do índice sugere que os preços internacionais se mantenham em patamares inferiores aos registrados em 2013. Apesar da elevação nos custos de produção da safra brasileira de 2013/14, as perspectivas ainda são de margens positivas no campo, principalmente para os produtores que conseguirem atingir níveis satisfatórios de produtividade.

Milho

No ciclo 2013/14, a produção mundial deverá expandir-se em 11,5%, resultando em 957 milhões de toneladas. Assim, mesmo ante uma expansão do consumo, projetada em 6,2%, a 927 milhões de toneladas, espera-se aumento dos estoques e pressão nos preços em Chicago.

Quanto ao quadro nacional de oferta e demanda, estima-se elevação dos estoques de 6%, para 14,3 milhões de toneladas, possibilitando também um direcionamento baixista dos preços internos. Com um excedente global projetado em 30 milhões de toneladas, indicando uma expansão de 23,5% do nível de estoques globais de passagem para 151 milhões de toneladas, o maior patamar em 12 anos, espera-se que 2014 seja marcado por pressões na CBOT.

Considerando o aumento dos custos de produção, as perspectivas para os produtores brasileiros de milho, em 2013/14, são de margens apertadas e elevado risco para resultados negativos. O desempenho das exportações brasileiras será decisivo para a performance do setor, definindo os níveis dos estoques ao final da safra e, assim, o direcionamento das cotações.

Carne bovina

O Rabobank prevê que 2014 seja marcado por ligeiro aumento da produção global de carne bovina, dada a expectativa de aumento de produção em países do hemisfério Sul. Mesmo com aumento de produção no Brasil em 2014, a oferta global, ainda restrita, e o câmbio relativamente depreciado, tendem a manter atrativo a exportação da carne brasileira.

As perspectivas para os preços globais da carne bovina em 2014 devem oscilar ao redor dos patamares observados em 2013, com possibilidade de aumento limitado. No Brasil, altas significantes no preço da carne e do boi gordo tendem a ser limitadas pela continuidade da oferta regular de animais, pelo baixo crescimento da renda real no país e pela concorrência das outras carnes.

Frango

No Brasil, espera-se aumento moderado da produção em 2014, sempre com vistas ao desenvolvimento das exportações.

Quanto aos preços internacionais da carne de frango, espera-se que oscilem em patamares similares aos observados em 2013, em decorrência de aumento global gradual da produção de frangos e da oferta ainda restrita de outros tipos de carne.

A expectativa do Rabobank é de que o ambiente seja mais favorável para os frigoríficos com operações no Brasil, sustentado por preços menores dos grãos, bem como pela demanda firme por exportações brasileiras.

Suco de laranja

Após as 280 milhões de caixas produzidas no estado de São Paulo na safra 2013/14, espera-se recuperação moderada na produção em 2014/15. Estimativas apontam para volumes em torno de 300 milhões de caixas, número ainda distante dos observados em anos anteriores. Quanto ao FCOJ, os estoques globais devem diminuir para patamares mais moderados em 2014, com a indústria moendo quantidades menores de laranja em 2013. A demanda por suco de laranja deve-se manter relativamente estável ou apresentar leve queda em 2014.

Com estoques menores projetados para FCOJ no sistema, e sem grandes alterações na demanda da Europa, os preços de FCOJ Roterdã tendem a apresentar leve aumento em 2014. Em relação à laranja, espera-se que a demanda da indústria por matéria-prima aumente em 2014, em função do menor nível de estoque de suco atual. Isso deve refletir-se em preços ligeiramente superiores em 2014, em comparação com o ano anterior.

Leite

No mercado brasileiro, a evolução positiva da rentabilidade do produtor registrada em 2013 será determinante para o aumento da oferta de leite em 2014. Por outro lado, as expectativas de menor crescimento da economia e pressões inflacionárias poderão limitar o aumento da demanda. Já no mercado global, o setor deve continuar vivendo bons momentos em termos de rentabilidade, resultado dos elevados preços pagos ao produtor, da queda nos custos e da estabilidade da demanda.

No mercado doméstico, os preços ao produtor em 2014 devem apresentar tendência de queda em comparação com 2013, considerando as projeções de demanda inalterada e o aumento moderado da oferta. Os derivados lácteos, de forma geral, também devem apresentar preços inferiores aos observados no terceiro trimestre de 2013. No mercado internacional, os preços devem manter-se próximos aos registrados em 2013 na maior parte do ano. Espera-se que o leite em pó integral fique abaixo de US$ 5.000,00/tonelada apenas no terceiro trimestre do ano.

A rentabilidade dos produtores de leite no Brasil e nos principais mercados produtores deve manter-se em patamares relativamente atrativos em 2014, seguindo as perspectivas de menores custos da ração. A indústria brasileira deve sustentar as margens de 2013, com potencial de aumento em caso de retração no preço do leite pago ao produtor. Os preços dos derivados, por sua vez, parecem ter pouco espaço para reduções significativas nos preços.

Sobre o Rabobank
Com sede em Utrecht, na Holanda, o Rabobank possui cerca de 10 milhões de clientes, cerca 60 mil funcionários e está presente em mais de 40 países. No Brasil, o Rabobank está presente há mais de 20 anos, com foco em Food & Agri. A instituição tem atualmente 15 agências no interior do país, em oito estados brasileiros, atendendo a produtores rurais e grandes empresas agroindustriais, com uma gama de serviços financeiros que inclui consultoria a empréstimos, gestão de riscos e investimentos.

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