Cadastro de propriedades rurais só atinge 40% da meta

terça-feira, 21 de abril de 2015

No dia 6 de maio acaba o prazo para que todos os proprietários de imóveis rurais do Brasil tenham aderido ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Apenas 40% do território passível de inscrição, no entanto, está no sistema.

São muitas as razões para que, a menos de um mês da data limite, mais da metade do país não tenha feito o cadastro. O lançamento do CAR às vésperas da Copa do Mundo, as eleições e as trocas de governo de estado estão entre elas, segundo Raimundo Deusdará, diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

A falta de infraestrutura em cidades afastadas de grandes centros urbanos, dificuldade de acesso a computadores, à internet e informações sobre a importância do CAR também são barreiras à sua implementação.

Na região amazônica, levantamento mais recente calculava 65% do território já está inserido no CAR. No entanto, o cenário entre os estados da região amazônica é bem diverso. Enquanto no Mato Grosso 92% da área já está registrada, no Amapá são apenas 14%. Isso pode ser explicado, segundo Deusdará, pela maior ocupação das terras mato-grossenses para atividades agrícolas e porque o estado já possuía um sistema de cadastro vigente anterior à resolução do CAR, em 2014.

Não inserir a propriedade no sistema não faz com que o sujeito esteja na ilegalidade, mas é importante para quem depende da produção rural. Frigoríficos e supermercados só adquirem bois e carne de fazendas com o CAR, por exemplo. Já os bancos consideram o cadastro um documento prioritário para conceder empréstimos. É um fator que diminui riscos para essas instituições.

Deusdará acredita que os índices de adesão devem subir até a data limite. Ele conta com mais mutirões pelos municípios, mas admite que o do Serviço Florestal Brasileiro está analisando a possibilidade de prorrogar o prazo final por um ano. A decisão deve ser anunciada até o final do mês.

Fonte: Revista Época, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.