MCTI lança estudo inédito no Brasil sobre processos de produção de biodiesel

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lança, nesta quarta-feira (1º de julho), em Brasília, o livro “Parâmetros Físico-Químicos para os Processos de Produção de Biodiesel”. O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Armando Milioni, fará a abertura do evento. Inédita no Brasil, a publicação fornece dados dos processos de produção e uso do biodiesel para a indústria brasileira, e com isso, preenche uma lacuna na literatura do setor. O livro reúne os principais resultados alcançados por um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O estudo foi financiado pelo MCTI, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A gente está fornecendo dados do comportamento da mistura durante a transformação do óleo em biodiesel para diversas matérias-primas. Então, você tem uma ideia de todo o comportamento dela, e pode pensar em melhorias de equipamentos, dos processos, uso de reagentes, rendimento e várias outras coisas a partir desses dados”, explica o editor-técnico do estudo, Paulo Anselmo Suarez, pesquisador e coordenador geral do Instituto de Química da UnB. “O livro é mais interessante para quem está lá na ponta. Busca saber como as misturas se comportam. Com o livro, nós temos uma visão da evolução do comportamento dessa mistura ao longo do tempo”, afirma.

O biodiesel foi introduzido na matriz energética brasileira há dez anos. Dois anos antes, em 2003, foi estruturado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) do Governo Federal, ação que envolve diversos ministérios, entre eles, o MCTI. Tendo a Pasta a missão de executar a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, coube-lhe, no escopo do PNPB, o gerenciamento da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB). A rede foi criada em 2004 com o intuito de articular a pesquisa e o desenvolvimento do processo de produção desse combustível, identificando e eliminando os gargalos técnicos da área, estruturando uma base científico-tecnológica para dar apoio e orientação ao programa político-social e econômico do governo.

“Até o início da RBTB ou do programa de biodiesel, a gente não tinha disseminado a pesquisa. Hoje, temos grupos de pesquisa implementados em quase todas as universidades do País. Isso trás como consequência a formação de recursos humanos em diversos níveis, superior, pós-graduação e alunos de iniciação científica treinados. Esse é um dos legados mais importantes da Rede”, avalia Suarez. “Desenvolvemos muito conhecimento. Obviamente, muito disso ainda não se transformou em inovação, não está na indústria, mas pode vir a se tornar importante para o setor. Além disso, você tem a contribuição para a definição de políticas públicas, para fiscalização”, acrescenta.

Cenário

De acordo com Suarez, o biodiesel brasileiro possui hoje uma cadeia produtiva consolidada. “Hoje são produzidos mais de 3 bilhões de litros de biodiesel. Há dez anos, praticamente não tínhamos produção. Cresceu muito nesses últimos anos, e isso está aumentando mais, tanto para atender ao aumento do consumo de combustível quanto à quantidade adicionada ao diesel”, ressalta. Segundo ele, em 2005, a quantidade de biodiesel incluída na produção do diesel era de cerca de 2%, e aumentou, gradualmente, para 7%, na atualidade. “A gente tem notícias de que já está se discutindo autorizar ainda misturas maiores que 7%”, diz.

Para o País, além de ter criado uma nova cadeia produtiva, um novo setor econômico, o biodiesel contribui para a diminuição da importação. A produção trás diversos benefícios econômicos e sociais, desenvolvimento regional, emprego e renda e inclusão social. “Ao substituir o diesel por biodiesel, estamos substituindo a importação. Os benefícios para o País são muito grandes. É uma quantidade enorme de empregos que são gerados, desde o processo agrícola até o imposto”, afirma. O pesquisador aponta o biodiesel como uma alternativa da matriz energética menos maléfica para o meio ambiente. “Existem vários estudos que comprovam a redução de poluentes jogados na atmosfera e a redução da emissão do carbono”, diz.

Inovação

Suarez aponta que um dos processos tecnológicos mais utilizados pela indústria atualmente para a produção do biodiesel é a transesterificação. O método consiste na reação química do óleo ou gordura, essencialmente constituído de triacilglicerídeos, com um monoálcool de cadeia curta na presença de um catalisador, levando à formação de monoésteres (conhecidos como biodiesel) e glicerina. “A indústria está muito focada nessa tecnologia. Estudamos o que está no mercado e também inovação”, diz.

A publicação aborda esse processo e apresenta métodos alternativos de produção, como o estudo dos parâmetros físico-químicos para a reação de hidroesterificação. “Nós, hoje, temos várias patentes e pesquisas que foram desenvolvidas apontando tecnologias alternativas disponíveis para as empresas. Discutimos a hidroesterificação, que é um processo alternativo que demanda matérias primas de baixa qualidade. A gente espera estar contribuindo para a redução dos custos do processo e, possivelmente, de matéria prima com processos como a hidroesterificação”, diz.

Fonte: Ascom do MCTI