Ranking da ‘Nature’ que mede impacto da ciência posiciona Brasil em 23º lugar

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A nova edição do suplemento “Nature Index Global”, lançado nesta quarta-feira (17) pelo grupo “Nature”, colocou o Brasil na 23ª posição em um ranking de países que mais publicaram artigos científicos em periódicos de grande impacto em 2014.

Segundo o levantamento, foram 715 artigos lançados em 2014 por pesquisadores brasileiros (seja na autoria principal ou coparticipação) em quatro diferentes áreas – Química, Ciências da Vida, Terra e ambiente e Ciências Físicas.

Em 2013, primeiro ano analisado pelo relatório, o Brasil ocupou a mesma posição, mas publicou 670 artigos.

O índice levou em conta somente as publicações realizadas em 68 periódicos científicos de grande impacto. A lista de revistas foi definida por cientistas independentes que responderam em qual eles gostariam de publicar suas pesquisas mais significativas.

O país foi o mais bem posicionado da América Latina. A publicação mostra que a Argentina subiu uma posição e agora está em 30º lugar no ranking, tornando-se o segundo país mais bem colocado. O México ficou em 34ª lugar, mesma colocação da edição anterior.

Segundo a análise da “Nature” sobre a região, o crescimento em número absoluto não é suficiente para colocar esses países entre os líderes da comunidade científica e cita a dependência quase que exclusiva de financiamento público para pesquisa. “Nessa região, fundos públicos são muito mais importantes do que parcerias com o setor privado e cientistas raramente se tornam empreendedores”, explica a publicação.

Sobre investimentos, o documento mostra que o Brasil foi o que mais aplicou verbas na área de Pesquisa e Desenvolvimento (1,3% do Produto Interno Bruto, o PIB). O México foi o segundo governo a investir mais nessa área (0,5% do PIB), seguido do Chile, com 0,36% do PIB (o país ficou na 32ª posição no índice Nature).

Expectativa de mais destaque
O relatório da “Nature” afirma que projetos “ambiciosos e controversos” como o Programa Ciência Sem Fronteiras, do governo federal, podem ajudar a impulsionar a relevância da pesquisa científica realizada no país e na América Latina.

O relatório mostra ainda que a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, foi a instituição latino-americana que mais teve colaboradores envolvidos em pesquisas internacionais. A Universidade de São Paulo (USP) aparece na quarta posição entre as cinco universidades que mais fizeram esse tipo de parceria.

Apesar deste destaque, não há nenhuma universidade brasileira no ranking das 200 instituições globais que mais publicaram artigos de impacto. A lista é encabeçada pela Academia de Ciências Chinesa, da China, seguido da Universidade Harvard, dos Estados Unidos.

Como é feita a medição?

Para compor o ranking, o número avaliado não é o total de artigos publicados por país, mas o de “contagem fracionada ponderada” (WFC, na sigla em inglês). Esse índice leva em conta a porcentagem de autores de cada país e o número de instituições afiliadas em cada artigo.

Também apresenta uma correção para diminuir o peso dos artigos na área de astronomia e astrofísica, já que o número de publicações nestas áreas é muito maior do que em outros campos do conhecimento cobertos pelo índice da “Nature”.

Neste caso, o índice WFC do Brasil foi de 237,01, aumento de 1,4% em relação ao ano calendário 2013, quando o país obteve pontuação de 233,69.

Os Estados Unidos foram o país com maior pontuação no índice (17.936,51) e maior quantidade de artigos publicados nas revistas avaliadas: 26.638. Apesar da quantidade, houve uma queda de 3,5% no índice em relação à edição anterior, uma redução que a “Nature” ainda não soube explicar, justificando que a metodologia é nova para descobrir o significado desta mudança.

A China ficou com o segundo lugar do ranking, com índice WFC de 6.037,22 e 8.641 artigos publicados. O Brasil também ficou atrás de países como a Índia, Rússia e Israel, mas à frente da Noruega, Finlândia, Portugal e Irlanda.

Fonte: jornal da ciência