Tecnologias de monitoramento podem reduzir consumo de água na agricultura

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A crise hídrica pela qual o Brasil passa tem causado um impacto na economia e na qualidade de vida da população. Como a agricultura irrigada utiliza-se de 72% das águas derivadas dos recursos hídricos do País, de acordo com os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), a atividade muitas vezes é apontada como uma das principais responsáveis pela crise de água.

Mas mudar esse panorama pode ser uma realidade, especialmente com o uso de tecnologias de mapeamento por GPS, que contribuem para os agricultores verificarem a quantidade mais adequada de água a ser utilizada na irrigação, e por satélites de monitoramento climático e meteorológico. A informação é do geólogo Ney Maranhão, indicado para a Diretoria de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA).

Ao ser sabatinado nesta terça-feira (16) no Senado federal, Maranhão afirmou que é possível diminuir a quantidade de água utilizada pela agricultura irrigada com o uso dessas tecnologias. “Esse é um caminho que a gente deve perseguir, que pode reduzir em 20% ou 30% o consumo de água na irrigação”, declarou.

Com o mapeamento por satélite, por exemplo, é possível acompanhar as áreas irrigadas e melhorar os trabalhos dos equipamentos agricultores. “Nós podemos fazer ensaios de solos e fazer um mapeamento das variedades das propriedades do solo, das necessidades de adubação e de água, que variam muito. Hoje, é possível fazer uma agricultura de precisão, otimizando o uso da água”, explicou Maranhão.

A falta de um melhor monitoramento dos recursos hídricos, além de contribuir com a escassez de água no Brasil, também pode acelerar os processos de erosões no solo e gastar mais energia, na avaliação de Ney. “Ao mesmo tempo que se coloca mais água do que precisa, se gasta mais energia do que o necessário quando se faz esse bombeamento. Isto é antieconômico. Estamos deixando de ter ganhos de produtividade, ganhos de economia e gastando mais água do que precisamos”, enfatizou.

Clima e meteorologia

Outro ponto abordado por Maranhão foi a necessidade de existir um monitoramento climático e meteorológico mais abrangente no País, para contribuir nas atividades agrícolas e facilitar o manejo das irrigações. “É preciso que eles tenham um sistema de monitoramento das vazões de água, e precisam de um monitoramento do clima e meteorológico”, pontuou.

Um exemplo dado por ele de tecnologia já em uso nessa área foi no Vale do Acaraú, no Ceará. “Lá os irrigantes são cadastrados em um banco de dados, em um sistema de clima e meteorologia que transmite por telemetria informações para um centro de computação, que tem um programa que informa por SMS aos irrigantes sobre qual a plantação que devem fazer naquele dia, específica para a agricultura que eles têm, naquele local em que ela está instalada”, exemplificou.

Ao saber informações mais detalhadas sobre o clima, é possível prever em que momentos a irrigação deverá ou não ser reduzida, permitindo um controle maior dos gastos com a água. “Toda vez que nós temos possibilidade de usar avanços tecnológicos, não precisaremos só das políticas públicas para estimular e criar mecanismos para que esses agricultores possam fazer as conversões dos seus sistemas e adotar os manejos mais adequados”, declarou.

Votação

Ao final da sabatina na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), a maioria dos senadores votaram pela aprovação na escolha de Ney Maranhão para a Diretoria de Hidrologia da ANA. Caberá ao Plenário do Senado a deliberação final.

Ney Maranhão já foi superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, de 2010 a 2013, e atualmente é secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e secretário-executivo do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).

Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I