Distribuição do gás biometano tem protocolo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Com o objetivo de ampliar o fornecimento de energia para a rede elétrica produzida a partir da queima da palha e do bagaço da cana-de-açúcar e outros insumos como cavaco de madeira, João Carlos de Souza Meirelles, secretário estadual de Energia firmou protocolo de intenções para distribuir gás biometano, feito por meio da vinhaça.Meirelles esteve na terça-feira (26), na 23ª Fenasucro & Agrocana em Sertãozinho, onde participou do evento voltado para bioenergia que uniu as empresas Gás Brasiliano (distribuidora), Malosso Bioenergia S.A. (fornecedora da vinhaça) e Consórcio CSO (tecnologia de biodigestão de vinhaça).

A finalidade da parceria é realizar a distribuição de gás biometano, produzido por meio da vinhaça (resíduo pastoso que sobra após destilação fracionada da cana-de-açúcar fermentada para a obtenção do etanol) para a região onde está a Usina Malosso, impactando as cidades de Itápolis e Catanduva.

O projeto terá investimento de R$ 16 milhões e produzirá 25 milhões de m³ de biometano num período de cinco anos. A estimativa é que a produção comece no segundo trimestre de 2016. Essa é uma iniciativa extremamente importante do setor privado para ampliar o fornecimento de energias renováveis em São Paulo. São projetos como esse que o governo do estado quer apoiar , destacou Meirelles.

A proposta está alinhada ao Programa Paulista de Biogás do Estado de São Paulo (decreto 58.659, de 04/12/2012), que prevê a obrigatoriedade de injeção de um percentual mínimo de biometano no gás natural comercializado no Estado de São Paulo e cuja ênfase é o biogás produzido a partir de vinhaça.

Energia é a solução

Energia é a solução para o setor sucroenergético e quem não está fazendo cogeração de energia está fora do cenário competitivo afirmou Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise Br.

A Secretaria de Energia realizou um estudo mapeando as usinas existentes e identificando a sua produção, consumo e exportação de energia excedente para a rede elétrica.

Foram analisadas 166 usinas, que assinaram o Protocolo Agroambiental, sendo que 34 delas estão localizadas na região nordeste do estado, a uma distância de 100 km do município de Morro Agudo.

Destas 34 usinas, 10 foram selecionadas para um projeto piloto em conjunto com a CPFL, concessionária de energia da região, para ampliarem a produção de energia existente.

Considerando o excedente de energia que essas 10 usinas conseguem produzir na região de Morro Agudo, nosso potencial energético é exemplo para o mundo todo precisamos apenas investir nessas empresas. Hoje podemos produzir 237 megawatts, o que significa o consumo anual de uma cidade como Ribeirão Preto, que possuiu 600 mil habitante, mas queremos mais, nossa meta é atingir capacidade máxima em todas as usinas da região , explica o secretário de Energia, João Carlos de Souza Meirelles.

Além da concentração de usinas, a região foi escolhida porque está recebendo, em Morro Agudo, uma nova subestação de 500/138 kV operada pela CPFL, reforços nas linhas de transmissão local e conexões que permitirão o escoamento da energia elétrica excedente das usinas de biomassa da região.

Segundo dados divulgados na feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro manteve-se estável em maio, queda acumulada de 0,2% nos primeiros cinco meses de 2015, comparado a igual período do ano passado, devido principalmente ao comportamento da agricultura, que apresentou redução de 0,48% no mesmo período.

Sendo assim, a previsão para o PIB da agropecuária em 2015 é de R$ 1,2 trilhão, sendo R$ 825,08 bilhões (67,6%), referentes ao ramo agrícola e outros R$ 396,27 bilhões (32,4%), do setor pecuário.

Os números são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). Os dados mostram que a pecuária, mesmo tendo desempenho positivo no período, apresentou crescimento modesto: 0,03%.

CNA