Obama defende rentabilidade de energia renovável e destaca liderança dos EUA

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu na segunda-feira que as energias renováveis são um investimento rentável em termos econômicos e, portanto, competitivas no mercado, e destacou a “liderança” que segundo sua opinião seu país está exercendo neste campo.

“Durante décadas, nos disseram que não faz sentido economicamente falando trocar para a energia renovável. Hoje, isso já não é verdade”, disse Obama para os presentes à Cúpula Nacional sobre Energia Renovável realizada em Las Vegas (Nevada).

Obama, que situou a luta contra a mudança climática como uma das prioridades de seu segundo mandato, deu como exemplo a aposta de grandes empresas americanas como Wal-Mart, Google, Apple e Costco em energias limpas.

“Estas companhias não mudam para a energia verde por altruísmo”, comentou o presidente, que atacou as “pressões” da indústria energética tradicional para pôr impedimentos no caminho das novas empresas de energias renováveis e inclusive na promoção da produção de particulares para o autoconsumo.

“Estas companhias, que sempre defendem o livre mercado, neste caso se opõem à livre concorrência”, disse Obama.

“Negamo-nos a nos render em nosso desejo de energia limpa perante quem a teme e luta contra ela”, reforçou.

A luta contra a mudança climática se transformou em uma das prioridades de Obama, que deve enfrentar alguns políticos republicanos (partido que controla o poder legislativo) que continuam sendo céticos sobre seus efeitos e inclusive sobre a própria existência do aquecimento global.

“A indústria da energia solar o ano passado criou empregos a um ritmo dez vezes maior que o do resto da economia”, exemplificou o líder, para quem uma das maiores vantagens apontadas pelos defensores das energias renováveis é seu grande impacto econômico e a criação de postos de trabalho no setor.

Em seu primeiro dia de trabalho após duas semanas de férias, Obama também anunciou novas medidas executivas e compromissos do setor privado “para acelerar a transição dos Estados Unidos rumo a fontes de energia mais limpas e formas de reduzir o desperdício energético”.

Entre essas medidas está o aumento de US$ 1 bilhão em um programa de empréstimos para projetos de distribuição de energia que usem “tecnologia inovadora” como painéis solares.

Obama também anunciou a dotação de US$ 24 milhões para 11 projetos em sete estados que permitam desenvolver tecnologias para “duplicar” a quantidade de energia que cada painel solar produz, e apresentou um compromisso alcançado com várias empresas para proporcionar energia solar nas casas de cerca de 40 bases militares em todo o país.

Dentro das novas medidas se destaca também a flexibilização de um plano da Administração Federal de Habitação que concede empréstimos para melhoras energéticas nos lares, assim como a aprovação de uma linha de transmissão para uma instalação solar em Riverside (Califórnia) que levará energia para mais de 145 mil casas.

No início de agosto, Obama apresentou o chamado “Plano de Energia Limpa”, com o qual os EUA devem reduzir até 2030 em 32% as emissões de carbono das centrais termoelétricas em relação aos níveis de 2005.

O presidente lembrou então que dessas plantas termoelétricas procede “aproximadamente um terço” da poluição total por carbono do país e ressaltou que seu plano é o passo “mais importante” dado nos EUA para combater a mudança climática.

Na próxima semana, Obama visitará o estado do Alasca, onde voltará a falar da importância da luta contra a mudança climática e da necessidade de uma resposta global.

“Nenhuma ameaça é maior para nosso futuro que a mudança climática. Acreditamos que podemos fazer bem e fazer o bem ao mesmo tempo”, concluiu Obama.

(Fonte: Terra)