Pesquisa quis saber como população vê a ciência no Brasil

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Durante a cerimônia de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2015, realizada na última segunda-feira (19), na Fundação Oswaldo Cruz, o vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Ildeu de Castro Moreira falou em conferência sobre como a população brasileira pensa, reflete, se informa e opina sobre a ciência. Ildeu foi consultor do estudo e é professor de física na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ele apresentou as descobertas da pesquisa “Percepção pública da C&T no Brasil”, que concluiu que a população brasileira, apesar das dificuldades enfrentadas na área da educação, tem em geral uma consciência madura sobre o que é ciência e tecnologia e a sua importância. Ela respeita, valoriza, tem interesse pelo tema e deve ser ouvida em momentos de decisão para o setor.

Enxergar a divulgação da ciência como uma maneira de simplesmente transferir conhecimentos que a comunidade científica construiu é equivocada, analisou Ildeu. “Nessas atividades que envolvem o grande público, como a SNCT, temos que aprender a conversar mais com as pessoas sobre o que é e como fazer ciência, não só mostrar as maravilhas que são desenvolvidas. Temos que fazer ciência de qualidade ao mesmo tempo em que mostramos que ela é uma construção coletiva e social.”

Outro ponto importante da discussão foi que a ampliação de espaços científicos e culturais, indo além das salas de aula, é necessária e ainda um desafio. Ao passo que o brasileiro parece ter especial interesse por assuntos relacionados ao meio ambiente — um terço visita, pelo menos uma vez por ano, jardins botânicos, parques ambientais, e jardins zoológicos —, apenas 12% da população afirmou frequentar museus de ciência, e isso precisa ser melhorado, assim como a desigualdade na distribuição física desses espaços, alertou Ildeu.

Esses são locais com grande potencial para atrair crianças e jovens, e é preciso que eles sejam incentivados a entrar em contato com as carreiras científicas de formas criativas. “Na escola, cada vez mais nossos jovens deveriam ter a oportunidade de fazer, investigar, experimentar para aprender ciência. A prática científica é o que faz a diferença, ainda mais se for desde a infância”, ressaltou.

Levantamentos do gênero são muito importantes para analisar as formas de ensinar e trocar conhecimentos sobre ciência e tecnologia no país. No entanto, é preciso saber mais especificamente como o professor da educação básica trabalha esses temas em sala de aula, e que dificuldades enfrenta.

O físico comentou sobre o papel da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA) na divulgação científica brasileira: “Acho que a Olimpíada tem um aspecto muito legal de valorização da cooperação e da criatividade. Quando as escolas e o professor são premiados e têm seu esforço reconhecido, a repercussão disso é muito positiva. Eles é que nos mostram o que são capazes de fazer e temos que abrir oportunidades para que façam isso”.

A pesquisa “Percepção pública da C&T no Brasil” foi realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e demandada pelo Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI/Depdi).

Os resultados detalhados do estudo podem ser encontrados no site do CGEE, que tem um layout interativo e design intuitivo, facilitando a compreensão das informações levantadas pela enquete.

Fonte: Fiocruz