CNPq lança segundo edital para pesquisas sobre segurança alimentar da Unasul

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Aberto até 19 de outubro, o edital busca fomentar núcleos e grupos de ensino, pesquisa e extensão com expertise em segurança alimentar e nutricional a fim de apoiar a produção, a humanização, a socialização e a popularização de conhecimento e tecnologias no âmbito da Unasul

Chamada tem o objetivo de formar e fortalecer uma rede de instituições para o intercâmbio de pesquisadores entre os países da América do Sul. Para coordenadora do MCTIC, iniciativa representa uma importante estratégia sociopolítica regional para a garantia do direito humano à alimentação adequada

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou nesta terça-feira (20) chamada pública de R$ 4 milhões para a segunda fase do Programa de Desenvolvimento de Estratégias Socioeducativas e Sociotécnicas em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Os recursos são do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Aberto até 19 de outubro, o edital busca fomentar núcleos e grupos de ensino, pesquisa e extensão com expertise em segurança alimentar e nutricional a fim de apoiar a produção, a humanização, a socialização e a popularização de conhecimento e tecnologias no âmbito da Unasul. Além disso, procura formar e fortalecer uma rede de instituições para o intercâmbio de pesquisadores sobre o tema na América do Sul.

O programa teve início em 2014 com o edital 82/2013, que distribui, até o fim de 2016, R$ 4 milhões a 25 projetos de núcleos brasileiros articulados com 170 instituições da América Latina e da África. “Essa iniciativa representa hoje uma importante estratégia sociopolítica regional, com potencial agregador de talentos, ideias e influências para a garantia do direito humano à alimentação adequada”, avalia a coordenadora-geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Segurança Alimentar e Nutricional do MCTIC, Janesca Roman.

Aperfeiçoamento

Diferentemente da primeira fase do programa, a nova chamada recebeu contribuições de pesquisadores de outros países da Unasul, uma vez que o Conselho Sul-Americano de Ciência, Tecnologia e Inovação (Cosucti) aprovou a proposta em sua última Reunião de Altos Delegados, em abril, em Montevidéu, no Uruguai. Segundo Janesca, instituições da Colômbia, do Equador e da Venezuela se comprometeram a apresentar propostas específicas, em complementação ao edital do CNPq.

Outra novidade para a segunda fase do programa é que cada instituição brasileira responsável por um projeto precisa apresentar uma proposta de ensino, pesquisa e extensão em conjunto com um parceiro da Unasul. “Enfatizamos essa questão porque é nesse contexto que acontece a inclusão social”, explica a pesquisadora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Sônia da Costa, ex-coordenadora de pesquisa em segurança alimentar do MCTIC. “Percebemos na primeira fase que os projetos que trabalharam com essas três linhas de frente alcançaram um número maior de beneficiários.”

A chamada prevê faixas de distribuição de R$ 30 mil a R$ 200 mil aos projetos contemplados. “Ampliamos as categorias em relação à fase 1, quando o edital apoiou apenas núcleos interdisciplinares e interinstitucionais”, lembra Sônia. “Agora, o programa incentiva a formação de centros de referência e observatórios, estruturas maiores, e a criação e o fortalecimento de grupos de pesquisa em universidades brasileiras, em cooperação técnica com outros países da Unasul.”

De acordo com o edital, a rede de instituições deve promover intercâmbio para: compartilhar e articular estudos científicos e tecnológicos com práticas alimentares tradicionais e populares; identificar ou construir tecnologias e inovações sociais na área, como produção, manipulação, conservação e abastecimento; contribuir no monitoramento contínuo da situação de SAN, em torno de agricultura familiar, compras institucionais e consumo saudável; fomentar ações de ensino, pesquisa e extensão para o desenvolvimento da inclusão produtiva rural local; socializar e popularizar conhecimentos técnico-científicos de nutrição e segurança alimentar, colaborando para a promoção da alimentação saudável e o controle e prevenção de agravos decorrentes da má alimentação; e estimular estudos que promovam o fortalecimento do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) em estados e municípios.

Fonte: MCTIC