ONU cobra os recursos prometidos pelos países ricos

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Faltam apenas seis meses para a próxima grande conferência do clima, que desta vez será em Cancun, no México, e para que ela comece em um bom ambiente para as negociações, o presidente do UNFCCC, o holandês Yvo de Boer, cobrou que os países ricos cumpram os compromissos assumidos em Copenhague no fim do ano passado.

Um dos principais deles seria a ajuda para a adaptação das nações mais pobres às mudanças climáticas. Ficou acordado que os países ricos doariam US$ 30 bilhões em três anos com esse objetivo. Mas até agora nem um centavo foi disponibilizado.

Para de Boer, a reunião de duas semanas em Bonn, a partir do dia 31 de maio, será o momento perfeito para o anuncio da liberação da primeira parte desses recursos.

“A prioridade para os países industrializados deve ser a liberação dos US$ 30 bilhões para financiar medidas de adaptação nos lugares que mais precisam delas”, afirmou de Boer.

Os países ricos prometeram que a ajuda financeira iniciaria já em 2010 com a liberação de US$ 10 bilhões e que seria incrementada anualmente até US$ 100 bilhões em 2020.

“Os tempos estão duros, principalmente para a Europa, mas US$ 10 bilhões por três anos repartidos por todos os países industrializados está longe de ser algo impossível”, explicou de Boer.

Segundo o presidente do UNFCCC, se forem dados sinais de ajuda para as nações em desenvolvimento, isso pode facilitar a obtenção de um acordo concreto no México.

“Cancun pode alcançar seus objetivos se as promessas já feitas no decorrer das negociações forem honradas”, afirmou de Boer.

Bonn

O encontro na Alemanha será de muita importância, pois para que a Conferência de Cancun tenha alguma chance de sucesso, é necessário que vários tópicos sejam abordados e devidamente encaminhados desde já.

Entre estes tópicos está a inclusão do Acordo de Copenhague – construído pelos Estados Unidos e os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) – ou ao menos partes dele nos textos formais das negociações da ONU.

O status do Acordo de Copenhague continua sendo discutido pelos negociadores. Os países ricos, de uma maneira geral, consideram o acordo uma estrutura melhor para ser trabalhada em Cancun do que o próprio Protocolo de Quioto. Já as nações mais pobres afirmam que se afastar de Quioto seria um erro e resultaria num tratado mais fraco.

“Estamos trabalhando um novo texto que deve integrar partes do Acordo de Copenhague. Esperamos que isso resulte em um documento ainda mais forte”, conclui de Boer, que deve deixar o cargo logo após o fim da reunião em Bonn, quando assumirá a costa-riquenha Christiana Figueres.

Fonte: carbono Brasil