Estados Unidos prometem liderança no combate às mudanças do clima

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os Estados Unidos, conhecidos por bloquearem as negociações nas conferências internacionais do clima, agora prometem assumir um papel de liderança na luta contra a mudança climática. “Os Estados Unidos devem ajudar a criar uma solução global para esse desafio mundial”, declarou Barack Obama, presidente norte-americano, na terça-feira, ao anunciar um pacote inédito.

Os planos de Obama visam primeiramente limitar as emissões de CO2 das usinas norte-americanas. A maior parte delas é movida a carvão, o que faz o setor ser responsável ​​por cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa do país. Além disso, o presidente quer apoiar tecnologias de geração de energia limpa, como solar e eólica.

Corte de emissões – “Este é, de longe, o compromisso mais importante que os Estados Unidos já apresentaram em relação à proteção climática”, avaliou Paul Bledsoe, do German Marshall Fund, em entrevista à Deutsche Welle, em Washington. “O presidente não quer apenas diminuir as emissões do país, ele também anunciou planos para iniciar negociações bilaterais com os principais poluidores, por exemplo, a China e a Índia.”

A China, por exemplo, é a maior poluidora do planeta. Ainda não se sabe como essas negociações serão ou quando irão começar. No momento, é difícil imaginar que China e Estados Unidos entrem em um acordo sobre esse tema.

Para Michael Levi, especialista no assunto do Conselho de Relações Exteriores, (CFR, na sigla em inglês), a notícia de que as usinas existentes cumprirão um calendário para cortar emissões é a maior novidade do plano climático. No entanto, o projeto praticamente não apresenta detalhes sobre como serão esses regulamentos.

Na Conferência do Clima de 2009, em Copenhague, Obama fez uma promessa solene: a de cortar, até 2020, 17% das emissões do país em relação aos níveis de 2005. Para especialistas, o plano apresentado pelo presidente dá, finalmente, o primeiro rumo a esse objetivo.

Obama tem apenas três anos para para implementar o projeto, o que não é muito tempo. As propostas feitas dependem também de um trabalho intensivo e da colaboração de empresas e agências governamentais envolvidas. Mesmo assim, especialistas acreditam que o presidente norte-americano conseguirá atingir a meta.

Michael Levi destaca ainda um outro ponto interessante: o novo plano climático demonstra preocupação com as florestas dos Estados Unidos. O documento reconhece que as mudanças climáticas ameaçam seriamente as florestas, que também sofrem a pressão do crescimento urbano e da expansão agrícola. No entanto, o governo não diz o que fará exatamente para combater o problema.

Mudanças climáticas na agenda política – Diferente da primeira iniciativa contra mudanças climáticas, há cinco anos, o consentimento do Congresso não é necessário. O presidente parece ter aprendido com a experiência. Naquela ocasião, ele tentou reduzir as emissões de carbono com um sistema de preços e não conseguiu apoio. Ainda assim, especialistas e ativistas acreditam que esse método seria mais barato e eficaz.​

“Aquecimento é história pra boi dormir”, diz professor – “O mais importante é ligar a poluição de dióxido de carbono a um preço. Não podemos permitir que os maiores poluidores do mundo sujem a atmosfera a troco de nada”, opina Daniel Kessler, do grupo ambientalista 350 org.

Kessler considera os objetivos ambientais de Obama pouco ambiciosos. Críticos reconhecem que o presidente pediu uma nova avaliação do impacto ambiental do controverso projeto Keystone. Trata-se de um oleoduto que irá transportar petróleo do Canadá para os Estados Unidos. A ação foi criticada pelos republicanos: eles consideram que o plano climático pode trazer prejuízos econômicos.

Mas Obama parece ter o povo ao seu lado. Não foi por acaso que ele mencionou em seu discurso os desastres naturais devastadores dos últimos tempos, como o ciclone Sandy. As catástrofes teriam feito com que os norte-americanos fizessem a conexão entre mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, disse Paul Bledsoe. “As pessoas sentem as mudanças climáticas atuais. Até mesmo os republicanos terão de reconhecer a importância deste tema, e eu acho que a posição deles deve mudar nos próximos anos.”

Fonte: Terra