Nova Estratégia Nacional de CT&I deve incluir aumento da produção de biomassa

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Jailson de Andrade, afirmou nesta quinta-feira (29) que o aumento da produção de biomassa deve ser incluído como meta na nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em fase final de elaboração. “Seja para uso em alimento ou em energia”, explicou.

O esforço para incrementar essa escala, porém, na opinião de Jailson, precisa se associar à redução do consumo da terra, da água, de agrotóxicos e de adubos. “A minimização do uso de defensivos agrícolas e fertilizantes tem aspectos ambientais e econômicos, porque eles geram despesas extremamente preciosas na balança comercial do Brasil.”

As declarações foram feitas em café da manhã da Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade da Cadeia Produtiva do Setor Químico, Petroquímico e Plástico do Brasil, na Câmara dos Deputados. Aos parlamentares, o secretário falou sobre o papel da química na bioeconomia e sua transversalidade, “desde a indústria de base à de especialidades”.

Jailson de Andrade disse ainda que o MCTI vem construindo uma agenda com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). “A ideia é criar as bases para um consórcio bioindustrial no País, em que a Abiquim será o representante do setor empresarial e o MCTI, o responsável pela parte governamental”, informou. “Outras entidades, como a Sociedade Brasileira de Química, estão nessa discussão como braço acadêmico.”

Ele apontou como reforço na interlocução com a indústria a meta de criar a Coordenação-Geral de Bioeconomia dentro da estrutura organizacional do MCTI. Para o secretário, a futura divisão interna poderá articular ao setor empresarial a Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte), a Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) e a Rede Centro-Oeste de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (Pró-Centro-Oeste).

Relevância

Ao ressaltar o peso da química para a economia mundial, Jailson se referiu à unidade que precedeu o Produto Interno Bruto (PIB) no cálculo do grau de crescimento de determinada localidade. “Antes do PIB, para saber o tamanho da riqueza de uma nação, a pergunta era quanto de ácido sulfúrico essa cidade ou nação produzia”, recordou. “A partir dessa quantidade se sabia, no passado, a que ponto chegava a indústria química local e o progresso daquela região.”

Na visão do secretário, o bioetanol brasileiro é o biocombustível mais eficiente do planeta. “Para cada Joule despendido na produção de bioetanol de cana, se recupera oito Joules de energia. No caso do milho, nos Estados Unidos, a relação é de um para 1,6 ou 1,8″, ilustrou. “As tecnologias de segunda geração, que avançam para o etanol celulósico, trazem uma segunda dimensão, que agrega valor ao combustível não apenas pela quantidade energética, mas pela redução do impacto ambiental. E nós temos grande confiança de que em pouco tempo o Brasil será um grande player mundial nessa área porque já estamos dando passos largos na terceira geração, com a biomassa de alga.”

O coordenador de biotecnologia industrial da Frente Parlamentar da Química, deputado federal Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), apresentou um plano de trabalho para o Poder Legislativo e salientou o papel do MCTI de contribuir com a regulamentação da Lei da Biodiversidade (13.120/2015), sancionada em maio, com novas regras de acesso ao patrimônio genético brasileiro.

Também participaram das discussões o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e o diretor-executivo da Coatis, José Borges Matias – representante do grupo belga Solvay, dono da empresa Rhodia e sócio da GranBio em projetos de química verde –, além de empresários, parlamentares e gestores governamentais, como o chefe de gabinete do ministro Celso Pansera, Carlos Azevedo.

Fonte: MCTI