Ações de mitigação contribuem para crescimento econômico do País

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A 21ª Conferência do Clima (COP 21) terminou neste sábado, 12 de dezembro, em Paris, com um novo acordo internacional para reduzir da emissão de gases de efeito estufa (GEE) e limitar o aumento da temperatura global em 1,5oC até 2100. Esse acordo vem sendo almejado há 23 anos, desde a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), firmada durante a Rio-92. Desde então, os países membros reúnem-se regularmente nas chamadas Conferências das Partes (COPs) para buscar um consenso sobre suas obrigações.

Em setembro, o Brasil apresentou sua proposta na Cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) Sobre Desenvolvimento Sustentável, prevendo, entre outras metas, a redução de GEE em 43% e participação de 23% de energia renovável no fornecimento de eletricidade, até 2030.

“O Brasil já tem metas voluntárias apresentadas na COP de Copenhagen, em 2009, que estão datadas para 2020 e, pelo andar da carruagem, serão cumpridas porque o maior emissor brasileiro é o desmatamento, que tem sido reduzido. As apresentadas na COP 21 são mais complexas, mas eu acredito que também serão realizadas”, comenta Luis Pinguelli Rosa, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) e diretor da Coppe/UFRJ.

Com base na proposta brasileira, o FBMC criou um Comitê de Elaboração de Cenários (CEC), formado por membros de diversos segmentos da sociedade civil, e desenvolveu o projeto IES-Brasil (“Implicações econômicas e sociais de cenários de mitigação no Brasil – 2030”). O objetivo do projeto foi o de analisar as implicações econômicas e sociais da adoção de diferentes conjuntos de medidas de mitigação de emissões GEE no Brasil até 2030 e identificar políticas de mitigação que possam vir a ter melhores respostas quanto a seus impactos econômicos, sociais e ambientais.

Esses cenários foram elaborados a partir de modelos matemáticos formulados por um grupo de instituições de pesquisa, sob a coordenação do Centro Clima da Coppe-UFRJ (Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas).

A conclusão do estudo, apresentado à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no final de setembro, é que a redução das emissões de gases de efeito estufa pode levar a um aumento de até R$ 609 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Entre as medidas a serem adotadas, energias renováveis e biocombustíveis são alternativas que, além de reduzir as emissões de GEE, também contribuirão para o crescimento econômico do Brasil.

“O IES-Brasil é um estudo de cenário. Fazemos cenários que julgamos possíveis com dados de economia, consumos dos diferentes setores, produção industrial. Fizemos uma projeção para o ano de 2030 e o resultado obtido é que com energias renováveis, principalmente solar e eólica, mas também hidrelétrica, é possível o Brasil atender o consumo de energia e, inclusive, ter um crescimento de emprego”, explicou Pinguelli, um dos coordenadores do trabalho.

As variáveis empregadas na projeção dos cenários são baseadas na comparação entre os efeitos esperados das medidas que já fazem parte da Política Nacional sobre a Mudança do Clima com os possíveis resultados das medidas adicionais de mitigação de emissões que o Brasil apresentaria na COP 21. Mas, conforme ressalta Pinguelli, apesar de os cenários serem bastante factíveis, é necessário vontade do governo, das empresas e da sociedade para implementar tais medidas.

“O papel da ciência é o de demonstrar, usando teorias e modelos matemáticos, as possibilidades do mundo. E defender que outro mundo é possível. Mas, se as pessoas não criarem consciência, será difícil pressionar o governo por mudanças. É preciso haver consciência, cobrança, pressão”, disse.

O pesquisador ressalta ainda que a intenção do Brasil teria sido também influenciar os outros países no encontro de Paris para chegarem a um consenso.

“Não adianta o Brasil tomar todas as medidas se os outros países não fizerem nada. Isso é o problema que a COP teve que resolver em Paris – não há solução em um país só, porque a atmosfera é única”, concluiu.

(Daniela Klebis – Jornal da Ciência, versão impressa, edição 764, dezembro 2015)