Brics planejam desenvolver tecnologias em computação, energias renováveis e saúde

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Os países que integram o grupo Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – planejam a união de esforços para o desenvolvimento de produtos em temas como computação em nuvem, energias renováveis e tratamento preventivo de saúde. A ideia saiu do 4º Encontro de Ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação do bloco, realizado de quinta-feira (6) a sábado (8), em Jaipur, no noroeste indiano, com a presença do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alvaro Prata.

“A presença do Brasil é sempre muito celebrada nessas reuniões”, avaliou o secretário. “A expectativa, mais e mais, é de que nós possamos ter um papel de liderança nessa cooperação internacional. Nós temos sido atuantes, mas como parceiros. Eu acho que o que se espera do país é que ele aumente o seu protagonismo em sua atuação junto aos Brics, pela sua experiência, pela força da sua economia e pela sua tradição na área de ciência e tecnologia.”

O 4º Encontro de Ministros precede a 7ª Cúpula dos Brics, em Goa, no sudoeste indiano, neste sábado (15) e domingo (16). Na ocasião, o presidente Michel Temer deve se reunir com chefes de Estado e governo dos outros quatro países. “Ciência, tecnologia e inovação sempre ocupam uma posição de destaque no bloco”, disse Prata. “Os líderes vão tomar conhecimento de como andam as ações e, a partir daí, poderão fazer recomendações e observações.”

Conhecida pela sigla Step – Parceria em Ciência e Tecnologia para Empreendimentos Específicos, em inglês –, a nova proposta veio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Índia, a fim de estender a cooperação multilateral além de objetivos puramente acadêmicos.

“Esses empreendimentos seriam ações concretas, com materialização de produtos, que, embora ainda sem componente industrial, resultariam de esforços coletivos dos países em prol de energias renováveis, computação em nuvem e tratamento de saúde preventiva”, explicou o secretário. “Diferentemente de chamadas públicas abertas a projetos em demandas espontâneas, onde os pesquisadores decidem enfrentar problemas diversos, aqui os Brics querem gerar consequências específicas, mais completas.”

Segundo Prata, o MCTIC deve discutir a proposta indiana dentro do governo federal e com outras instituições, como agências de fomento, antes de confirmar o apoio brasileiro ao Step. Os temas ainda podem mudar, contanto que contribuam para o desenvolvimento econômico e social dos países.

Prioridades

Desde o 1º Encontro de Ministros, na Cidade do Cabo, na África do Sul, em fevereiro de 2014, cada país lidera uma área temática: prevenção e mitigação de desastres naturais, sob responsabilidade brasileira; recursos hídricos e tratamento da poluição, por conta da Rússia; tecnologia geoespacial e suas aplicações para o desenvolvimento, da Índia; fontes renováveis de energia e seu uso eficiente, da China; e astronomia, com liderança sul-africana.

Em Jaipur, Prata relatou os avanços brasileiros em sua área temática, ao lembrar que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) participou da organização da 6ª Conferência Anual da Sociedade Internacional para a Gestão Integrada do Risco de Desastres, em Nova Deli, na Índia, em outubro de 2015; e da 26ª Conferência Conjunta de Regiões Costeiras, em São Petersburgo, na Rússia, em agosto de 2016.

Brasília recebeu o 2º Encontro de Ministros, em março de 2015, quando os países assinaram um memorando de entendimento para institucionalizar a cooperação no âmbito do bloco. Um dia antes, também na capital federal, a 4ª Reunião de Altas Autoridades de Ciência, Tecnologia e Inovação dos Brics discutiu prioridades para o plano de trabalho firmado em Moscou, na Rússia, durante o 3º Encontro de Ministros, em outubro de 2015.

Na ocasião, os países firmaram o Plano de Trabalho 2015-2018, documento que agregou mais cinco áreas temáticas à cooperação: biotecnologia e biomedicina, incluindo saúde humana e neurociências; ciência e tecnologia oceânica e polar – compromisso assumido pelo Brasil –; fotônica; nanotecnologia e ciência de materiais; e tecnologias da informação e computação de alto desempenho.

Dentre as atividades da segunda área temática liderada pelo Brasil, o secretário citou a realização de um workshop em oceanografia operacional, em Pequim, na China, em setembro de 2016. “Nós oficializamos um grupo de trabalho para atuar em ciência e tecnologia oceânica e polar”, comentou.

Os 10 temas definidos na Cidade do Cabo e em Moscou orientaram, neste semestre, a primeira chamada pública do Programa-Quadro dos Brics em Ciência, Tecnologia e Inovação, fundo multilateral formado por agências de fomento das cinco nações. “A condição era que cada proposta analisada envolvesse pelo menos três países”, detalhou Prata. “Dos 320 projetos em fase de julgamento, o Brasil participa de 147, distribuídos por sete áreas temáticas.”

A chamada conjunta envolveu US$ 9,4 milhões dos cinco países. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou em agosto passado um edital de R$ 1,2 milhão, oriundo do MCTIC.

Outra iniciativa recente dos Brics é o Fórum de Jovens Cientistas, cujo primeiro encontro ocorreu em setembro, em Bangalore, na Índia, com mais de 40 participantes, que debateram os três temas da proposta Step. O secretário garantiu presença brasileira no segundo encontro, em 2017, e declarou apoio à criação de um prêmio de ideias inovadoras para jovens cientistas.

Fonte: MCTIC