Uruguai terá ambicioso projeto de efluentes e irrigação em fazenda de recria de gado leiteiro

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A fazenda de recria da Sociedade de Produtores de Leite da Flórida (SPLF), no Uruguai, que funciona em uma propriedade de 3.600 hectares – facilitada pelo Instituto Nacional de Colonização (INC) – encara um projeto de irrigação que requererá um investimento de US$ 700 mil, dos quais o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) aportará US$ 500 mil. O projeto impactará um rebanho de 4 mil novilhas na etapa de recria.

Em um evento realizado em 9 de dezembro, o ministro da Agricultura, Tabaré Aguerre, disse que 65% dos produtores que enviam bezerras a essa fazenda são produtores de leite de menos de 200 hectares e 37% são de menos de 100 hectares. O ministro valorizou a função dos campos de recria, pois permitem que as indústrias não somente encontrem vacas em produção, mas também, que toda a recria de bezerras e novilhas, incluindo as inseminações, seja realizada de forma eficiente em um campo coletivo.

No evento, falou-se sobre a falta de água, o que se enquadra dentro da política do governo referente ao recurso como chave para a qualidade, visando melhorar o manejo de efluentes das fazendas e usinas leiteiras para não afetar os cursos d’água, como a bacia do rio Santa Lucía, explicou Aguerre.

Portanto, com recursos do projeto de Estratégias Associativas de Água para a Produção (EAAP), foram dados os detalhes dos investimentos na construção de uma represa, que terá uma área de 120 hectares de irrigação por sistema de pivô. Também serão instalados 23 quilômetros de encanamento embaixo da terra para gerar 37 pontos de abastecimento de água, onde funcionarão 37 piquetes com bebedouros que garantirão a quantidade e a qualidade da água.

“Isso é o que significa colocar um segundo andar à produção, porque os animais com água e sombra fazem um melhor aproveitamento do pasto e têm melhores condições de bem-estar animal”. Porém, além disso, há um segundo projeto também de grande aporte que será analisado no futuro a partir da experiência que se obtenha com o primeiro projeto, disse Aguerre.

Por outro lado, o consultor Álvaro Ferreira, responsável pela represa que funcionará no estabelecimento da SPLF, explicou que se trata de um projeto de múltiplas instalações. O objetivo do represamento do reservatório de água é irrigar e dar água do cocho para os animais de produtores que são enviados para a recria.

Depois, ele explicou as características principais do projeto, que tem uma capacidade de 20 mil metros cúbicos, onde uma proporção importante é o cocho dos animais. Isso quer dizer que haverá um armazenamento importante de água durante seis meses abastecendo o rebanho.

O resto será utilizado para irrigação mediante um pivô central que irriga em três círculos de aproximadamente 40 hectares cada. O objetivo é ir manejando diferentes rotações e jogando um pouco com a irrigação, que se destina aos cultivos mais exigentes e de maior potencial, explicou Ferreira. Ele disse que esse aspecto envolverá um pouco as rotações agronômicas, com pastos de longo prazo e culturas para produção de silagem.

A represa vai inundar um pouco mais de 10 hectares em áreas baixas de terra e baixa produtividade – e que hoje são usadas com as categorias de recria. A irrigação é feita pelo pivô central, com um sistema de aspersão. No caso dos efluentes, o projeto é importante por causa da contaminação e porque esse tema se transformará em travas de comércio. No entanto, o projeto de irrigação é um grande desafio para a SLPF pelo investimento e porque é necessário que funcione bem do ponto de vista produtivo.

As informações são do El Observador, traduzidas pela Equipe MilkPoint.